terça-feira, 24 de setembro de 2013

Fátima no Vaticano - 12 e 13 Outubro 2013 - 4ª parte

Cinquenta anos após a primeira aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos em Fátima, no dia 13 de Maio de 1967, Sua Santidade o Papa Paulo VI participa nas celebrações aniversárias no Santuário. O Papa diz que vem rezar pela paz no mundo e pela unidade da Igreja. No Santuário de Fátima, o Papa encontra-se com Lúcia.



@Lusodidacta/Orlando de Carvalho

Carvalho, Orlando, Os Santos de João Paulo II, Lusodidacta, 2005. Lisboa

Fátima no Vaticano - 12 e 13 Outubro 2013 - 3ª parte

As 1ª e 2ª consagrações do mundo ao Imaculado Coração de Maria

A 13 de Setembro de 1939, o bispo de Leiria torna público o pedido de Nossa Senhora de consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.


Irmã Lúcia de Jesus
A pastorinha que ficou garantir a consagração do do mundo ao Imaculado Coração de Maria


A 2 de Dezembro, a Irmã Lúcia das Dores escreve ao Papa Pio XII a propósito da Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.
A 31 de Outubro de 1942, o Papa Pio XII faz a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, aludindo de forma indirecta à Rússia. A Consagração é feita pelo Papa falando em português e transmitida pela rádio, a partir de Fátima. “Unimo-nos convosco para louvar e engrandecer o Senhor, dador de todos os bens: para bendizer e dar graças Àquela por cujas mãos a magnificência divina nos comunica torrentes de graças. E tanto mais gostosamente o fazemos, porque vós, com delicadeza filial, quisestes associar nas mesmas solenidades eucarísticas e imperatórias o jubileu de Nossa Senhora de Fátima e o vigésimo quinto aniversário da nossa sagração episcopal: a Virgem Santa Maria e o Vigário de Cristo na terra, duas devoções profundamente
portuguesas e sempre unidas no afecto de Portugal fidelíssimo, desde os primeiros alvores da nacionalidade”.
A 25 de Março de 1948 Lúcia dos Santos dá entrada na Ordem das Carmelitas Descalças, em Coimbra. Ela será a partir de agora a Irmã Maria Lúcia do Coração Imaculado.


Sepulturas de Francisco e Jacinta



Em 1951 são trasladados os restos mortais de Jacinta para a Basílica de Fátima. Os de Francisco serão trasladados no ano seguinte.
A 7 de Julho de 1952 o Papa Pio XII faz a Consagração dos povos da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

@Lusodidacta/Orlando de Carvalho

Carvalho, Orlando, Os Santos de João Paulo II, Lusodidacta, 2005. Lisboa

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Casar é uma cruz


O casamento é normalmente entendido como um contracto entre duas partes, um homem e uma mulher.
Como qualquer contracto, os seus termos e manutenção dependem da vontade das partes. Que são duas. Um contracto entre duas partes mantém-se enquanto for do mútuo acordo. Se eu entender denunciar o contracto com o meu fornecedor de água ou de electricidade, o contracto deixa de existir, bem como as obrigações mútuas entre mim e o fornecedor. Ele não tem que me fornecer mais energia eléctrica, ou água, e eu não tenho mais que pagar. Da mesma maneira que eu, também o fornecedor de água ou electricidade poderia suspender sem razão o meu fornecimento. Coisa que todos concordamos que seria injusto, mesmo desumano. Essa situação é normalmente prevista na lei: o fornecedor de água e o da electricidade não podem sem razão prevista na lei suspender o fornecimento. Afinal, neste contracto que existe entre mim e a empresa que me fornece electricidade não somos apenas dois: além de mim e da empresa fornecedora, está o Estado com o seu poder legislativo, executivo e judicial para fazer valer o contracto em todo o seu tempo de vida.

A diferença entre o casamento que é uma instituição natural na sociedade humana e o matrimónio, que é o mesmo casamento natural com a chancela de sacramento celebrado na Igreja é justamente o número de contraentes.
O casamento como instituição natural é celebrado entre um homem e uma mulher. Sabemos que desde tempos muito antigos as comunidades em que os noivos viviam sentiram a necessidade de testemunhar esta união, assinalando o casamento com festas em que participavam as famílias e comunidades a que pertenciam os noivos.
A importância do casamento como marco instituinte da família, a mais pequena porção da sociedade, revestiu, a partir de certo momento a celebração do casamento de carácter religioso: a presença do divino. As pessoas, em diversas culturas distribuídas pelo planeta e sem se relacionarem, entenderam que a união fundadora de um homem e uma mulher tinha algo de sagrado.



O chamado registo civil surge historicamente numa terceira etapa e muito posterior, é uma novidade em termos históricos. Surge primeiro o casamento instituição natural, depois o casamento celebrado religiosamente e só finalmente o registo civil, que vem oficializar perante a administração do Estado uma situação natural, com ou sem registo religioso.

Ora, o matrimónio não é um contracto celebrado entre duas partes, mas entre três partes. Por isso, é um sacramento. Talvez por culpa da própria Igreja, esta particularidade não tem sido enfatizada devidamente. Realizam-se festas nos templos católicos sem a noção do que se está a fazer. Como se se estivesse a oficializar uma união natural ou um registo civil, mas numa igreja, com um padre devidamente paramentado, com a facilidade de obter lindas fotografias com a arte da igreja por fundo, mais a decoração de flores que os noivos tratam de encomendar.

É preciso explicar às pessoas que recorrem ao casamento religioso, isto é, que pedem à Igreja o sacramento do matrimónio, o que estão a fazer. Pois, sabemos que existem cursos de preparação para o matrimónio, mas também sabemos que as pessoas os frequentam e depois agem como se não os tivessem frequentado, agindo em desconformidade com os mesmos. Chegam a separar-se definitivamente depois de algumas semanas de casamento, menos que aquelas que despenderam a frequentar o curso de preparação para o matrimónio. A que se deverá isso?

Deve ser ensinado aos noivos que pedem à Igreja a bênção para o seu casamento que este só deve ser celebrado se estiverem dispostos a seguir determinadas regras. Bem, uma regra é suficiente: amarem-se um ao outro como Jesus amou, ensinou a amar e continua a amar.

Quando uma pessoa declara que já não ama o cônjuge… essa pessoa não devia ter casado, pois comprometeu-se a esse amor por toda a vida. Se a razão desse cessar de amar for, por exemplo, infidelidade ou maus tratos, a situação é a mesma: é o outro cônjuge que não devia ter casado se não estava preparado para manter o compromisso de amor até à morte.

Para casar não é necessário estar apaixonado, basta amar. É natural e bom que seja um amor especial, diferente do amor entre irmãos ou entre pais e filhos, mas tem que existir amor, aquele amor que é doação da sua própria pessoa ao cônjuge. O que significa ser paciente com o outro e aceitar as falhas do outro. Sendo que isto tem de suceder nos dois sentidos.



Voltemos ao contracto. No sacramento do matrimónio, os contraentes não são dois, são três. O homem, a mulher e Jesus. Isto devia ficar bem inculcado nas cabeças e nos corações do casal, o que não devia ser difícil uma vez que chegam a ser celebrados casamentos no decorrer da missa em que ambos os noivos comungam.

Ora, em termos humanos, um contracto a três reveste características diferentes de um contracto a dois. Não porque isso se possa reflectir numa votação entre os contraentes, não vamos tão longe, mas porque em caso de discordância devem ouvir-se as três partes envolvidas. O marido, a mulher e Jesus.
Isto não é tão teórico como pode parecer. Mas precisa ser mais bem explicado aos noivos em particular e a todos os fiéis em geral.

Vem-nos à memória uma situação que um amigo[1] relatou e que é uma boa dica para dar amplitude visual ao princípio de que vimos falando: a presença de Jesus como terceiro parceiro do casamento sacramento.

O ritual do casamento católico em Siroki-Brijeg[2] é diferente. Mas podia deixar de o ser se fosse adoptado nas outras comunidades católicas. A começar na de cada um. Se cada sacerdote ou diácono, ao presidir a um casamento, ou se cada casal de noivos ao celebrar o seu casamento, quisesse fazê-lo à maneira dos habitantes de Siroki-Brijeg, podíamos mudar o conceito de casamento, a vivência familiar, o mundo.

Em Siroki-Brijeg não há divórcios.
Vamos descobrir porquê.

No dia do casamento, os noivos chegam à igreja e levam com eles um Crucifixo. Tal como as alianças são benzidas durante a cerimónia, como elemento essencial, também o Crucifixo é benzido.
As promessas mútuas são proferidas com a mão do noivo sobre a mão da noiva e a desta sobre o Crucifixo. O sacerdote coloca as suas mãos sobre as dos noivos, trazendo a bênção da Igreja a esta união 'a três'.
A promessa de permanecerem juntos até ao fim da vida, amando-se e auxiliando-se é tripartida: ele, ela e Jesus. A Igreja, por seu lado, assume também o compromisso de dar caridosamente todo o apoio à jovem família nascente. Porque a bênção não é, não pode ser, palavra morta, mas vivência dinâmica. Pela presença do ministro sagrado, a Igreja assume a representação física de Jesus, participando nas promessas de fidelidade, nas alegrias, tristezas, saúde, doença, pobreza, riqueza.
O padre ou diácono diz então algo do género:
- Encontrastes a vossa cruz. É uma cruz para amar, mantê-la sempre convosco, uma cruz de que não vos apartareis até que a morte vos separe, que guardareis com ternura gravada nas vossas próprias almas.

O Crucifixo guardado em casa, em local visível e onde seja fácil reunir para o venerar será o coração do amor do lar que se vai iniciar, a Fonte de bênçãos e amor naquele casal e na família que eles vão originar.

Os noivos beijam as alianças. Beijam o Crucifixo. As alianças simbolizam a aliança que acabam de subscrever. O Crucifixo simboliza a presença real de Jesus que eles pedem: a omnipresença de Deus no seu casamento para sempre. Se um deles olhar para outra pessoa, pondo em causa a fidelidade conjugal, estará presente a sua infidelidade aos parceiros, o cônjuge e Jesus. Quando um deles, impacientando-se, se exasperar, fá-lo contra o cônjuge e contra Jesus.
Beijam-se apenas após beijarem as alianças e beijarem o Crucifixo, assumindo em parceria a Cruz da vida em comum, com as suas alegrias e tristezas, momentos de felicidade e de dor.
Juntos, de joelhos, diante do Crucifixo encontram o Conselheiro Conjugal, o Psicólogo, o Advogado, nos momentos de dificuldade e de maior dificuldade em compreender ou ser paciente.
Juntos, de joelhos, diante do Crucifixo darão graças pelos momentos de felicidade que ao logo da vida e de cada ano vão ocorrendo.
Juntos, de joelhos, diante do Crucifixo serão testemunho de Vida para os filhos da sua união.

Entre nós, desenvolveu-se e quase morreu um costume idêntico. A consagração dos lares ao Sagrado Coração de Jesus. Pode realizar-se por alturas do casamento, ou em qualquer momento. Trata-se de obter uma imagem do Sagrado Coração de Jesus e afixá-la na casa num local de fácil acesso e bem visível, tanto para os seus ocupantes, como pelas visitas. Existe uma fórmula para fazer a consagração do lar que pode ser feita por um ministro da Igreja. E pode usar-se água benta para benzer a casa e as pessoas que lá vivem. Na impossibilidade, as próprias pessoas podem fazer a consagração. É fácil obter a respectiva fórmula.



Outras famílias têm feito a consagração do seu lar a Maria, Mãe de Deus. Que é uma forma de consagração a Deus, invocando a mediação da sua Mãe.

As vantagens e virtudes de trazer Deus, de qualquer modo, de modo bem visível, para dentro do casal, do lar e da família não são sensíveis de um dia para o outro, bem pelo contrário. Ao longo da vida, do amadurecimento dos pais, do crescimento dos filhos e do envelhecimento das pessoas, vai-se descobrindo a felicidade da força que ajuda a ultrapassar os momentos mais difíceis e a dirigir louvores a Deus nas ocasiões de maior alegria.
Não se sente a presença de Deus como passe de magia. Deus vai entranhando-se cada vez mais dentro de nós, de tal modo que, mesmo nos quisessem convencer a expulsá-lo, não poderíamos, porque ele já está entranhado no nosso ser e na essência da família e do lar. E fica em herança para os nossos filhos.

Orlando de Carvalho







[1] João Silveira
[2] Siroki-Brijeg é uma localidade na Bósnia-herzegovina, à distância de 25 quilómetros de Medjugorge. Do outro lado do Mar Adriático fica a cidade italiana de Lanciano.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Fátima no Vaticano - 12 e 13 Outubro 2013 - 2ª parte

Anschluss - Invasão da Áustria pelos nazis


A 25 de Janeiro de 1938 dá-se uma Aurora Boreal, a “noite iluminada por uma grande luz do céu”, que na aparição de Julho de 1917 Nossa Senhora tinha dito que antecederia uma guerra maior que a I Guerra Mundial. De facto, em 13 de Março seguinte, o exército nazi alemão invadiu a Áustria, dando início à II Guerra Mundial.
Alguns historiadores consideram que a Guerra se iniciou ano e meio depois com a invasão da Polónia. É irrelevante o nome que os historiadores quiserem dar às coisas.



A invasão da Áustria é o primeiro acto bélico no exterior do exército nazi, as invasões da Checoslováquia, da Polónia, da França, etc., são etapas da mesma guerra que tem por objectivo dominar o mundo sob o signo da maldade.
A II Guerra Mundial iniciou-se, pois, como Nossa Senhora predissera sob o pontificado de Pio XI.




@Lusodidacta/Orlando de Carvalho
Carvalho, Orlando, Os Santos de João Paulo II, Lusodidacta, 2005. Lisboa

Fátima no Vaticano - 12 e 13 Outubro 2013 - 1ª parte


O Santo Padre deseja que a Imagem de Nossa Senhora de Fátima que se encontra na Capelinha das Aparições viaje até ao Vaticano e aí permaneça nos dias 12 e 13 de Outubro, aniversário do Milagre do Sol.

Vamos aprofundar a relação entre Fátima e o Vaticano ao longo dos próximos dias.


Imagem de Nossa Senhora de Fátima será levada à Jornada Mariana a pedido do Papa 








Em resposta ao desejo do Santo Padre Francisco, a Imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima que é venerada na Capelinha das Aparições estará em Roma a 12 e 13 de Outubro, na Jornada Mariana promovida pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. No dia 13 de Outubro, junto da Imagem de Nossa Senhora, o Papa Francisco fará a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria.
A Jornada Mariana é um dos grandes eventos pontifícios previstos no calendário de celebração do Ano da Fé e congregará em Roma centenas de movimentos e instituições ligadas à devoção mariana.
Em carta dirigida ao Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, D. Rino Fisichella, comunica que “todas as realidades eclesiais da espiritualidade mariana” estão convidadas a participar na Jornada Mariana: um encontro que prevê, no dia 12, uma peregrinação ao túmulo do apóstolo de S. Pedro e outros momentos de oração e de meditação e, no dia 13, a celebração eucarística, presidida pelo Papa Francisco, na Praça de S. Pedro.
“É um desejo vivo do Santo Padre que a Jornada Mariana possa ter como especial sinal  um dos ícones marianos entre os mais significativos para os cristãos em todo o mundo e, por esse motivo, pensamos na amada estátua original de Nossa Senhora de Fátima”, escreveu D. Rino Fisichella.
Assim, a Imagem de Nossa Senhora deixará o Santuário de Fátima em Portugal na manhã do dia 12 de Outubro e regressará na tarde do dia 13. No seu lugar na Capelinha das Aparições será colocada a primeira Imagem da Virgem Peregrina de Fátima, entronizada na Basílica de Nossa Senhora do Rosário desde 8 de Dezembro de 2003.

@Lusodidacta/Orlando de Carvalho

Carvalho, Orlando, Os Santos de João Paulo II, Lusodidacta, 2005. Lisboa


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Maria Clementina Nangapeta

A evangelização ad gentes caminhou muitas vezes a par da colonização. Por causa das colonizações e das descolonizações muitas pessoas sofreram, de ambos os lados. Cristo pede-nos que continuemos a nossa peregrinação neste mundo e que o nosso olhar sobre o passado sirva preferencialmente para nos ajudar a tomar as opções mais correctas no futuro, que recriminar e apontar o dedo aos que agiram mal com um sentimento, mesmo que subliminar, de vingança, ou mesmo apenas de castigo.





Em Dezembro de 1939, em Wamba, no então Zaire, actual República Democrática do Congo, nasceu uma menina. Os pais eram pagãos e deram-lhe o nome de Nangapeta. Ao ir para a escola, a menina foi registada por engano – trocaram-lhe o nome com o da sua irmã – como Anuarita. Ao converter-se a Cristo, foi baptizada e recebeu o nome de Afonsina. Ainda jovem entra na Congregação belga das Irmãs da Sagrada Família e recebe o nome de Maria Clementina. Maria Clementina Nangapeta viveu a maior parte da sua vida na Congregação, ocupando-se com a educação das crianças e como sacristã. Em 1961 inicia-se a guerra da independência do Zaire, até então colónia belga, que decorre de maneira muito sangrenta. Há um grito contra os brancos, em geral, mas há também gritos de guerra entre tribos de negros. Maria Clementina não recebeu uma grande instrução escolar, mas tinha uma vida espiritual cheia, conhecia os fundamentos da sua fé católica e amava com o coração. Cumpria as tarefas que lhe estavam cometidas com diligência e amor. Com a resposta belga, lançando pára-quedistas em 1964, começa uma grande carnificina com o objectivo de eliminar os brancos e aqueles que com eles estivessem relacionados. Maria Clementina tinha dificuldade em entender ou alinhar em jogos de política.
Para ela era claro o que estava mal e o que estava bem.
Quando achava que as coisas não estavam correctas, pedia licença, dava a sua opinião, mas não se mantinha em discussões fúteis. A 29 de Novembro de 1964 é presa pelos rebeldes Simba, juntamente com outras freiras da congregação e são transportadas num camião a Isiro. Na noite do dia 1 de Dezembro, o coronel Olombé exige à madre superiora uma rapariga para si. É neste cenário de guerra e terror que calha ao coronel Olombé a Irmã Maria Clementina. Enganaram-se os que pensaram que ela não passava de uma jovem negra, inculta, sem o pudor que devia ter por base uma verdadeira educação desde a mais tenra idade, enganaram-se porque para Deus não há raças: Deus tem “uns óculos” que não lhe permitem ver a cor da pele dos homens. Deus vê e ama todos por igual. Ele estava
no coração de Maria Clementina. Quando Jesus diz que o que fizerdes a um dos mais pequeninos é a Mim que o fazeis, Ele está mesmo a falar a sério. O coronel Olombé quis agarrar a sua garota, queria usá-la como objecto de prazer sexual, como tantas vezes acontece ao longo da história, em especial perante cenários de guerra. Energicamente Maria Clementina, com o coração cheio de coragem e de Jesus, berra com toda a clareza: “Não quero, não quero, escolho antes a morte que ser tua” e como parecia que o selvagem não estava a entender bem, ela explicou melhor:

“Prefiro morrer a cometer o pecado”. Incrédulo, vermelho de raiva, por não estar a satisfazer os seus propósitos, por estar a sentir-se tão humilhado na sua virilidade (embora apenas a sua arrogância machista e os seus sentimentos animalescos estivessem a ser humilhados), o bandido apunhala a jovem, que com vinte e cinco anos se prepara para embranquecer o seu hábito, lavando-o no sangue do Cordeiro. Depois dispara sobre ela a pistola. Tudo está quase consumado. Mas a cena prolonga-se ainda um pouco mais, o Senhor ainda espera mais de Maria Clementina.
E ela corresponde. Fazendo apelo à poucas forças que já lhe restam, ela dirige-se ao seu carniceiro. Escrevemos assim, para dar uma ideia do que se passou, mas, respeitando os sentimentos da Beata Clementina, que com este simples relato já estamos a venerar, devíamos chamar de irmão muito carente de orações. Ela disse antes de expirar: “Perdoo-te! Não te deste conta do que estavas a fazer! O Pai te perdoe!” Esta reacção assim tão rápida e espontânea de alguém, num momento destes, não pode ser encenada, estudada para dizer nestas alturas, porque ninguém se lembra do que estudou para dizer em semelhante situação. Estas palavras de perdão não podem ser mais que o coração da jovem mártir a exteriorizar toda a bondade e generosidade acumuladas dentro de si e de que vai passar a dispor ainda com maior abundância, porque está prestes a unir-se à Fonte do Amor.
Louvado seja Deus por permitir que a vida na terra seja alegrada por estes “anjos” que vão convivendo connosco no dia-a-dia e fazendo brilhar para nós a Luz de Cristo.
Maria Clementina foi mártir para conservar a pureza do seu corpo, habitação do Espírito Santo. Sua Santidade João Paulo II declarou-a Beata da Igreja a 15 de Agosto de 1985, numa bela e concorrida celebração em Kinshasa, durante uma longa viagem apostólica a diversos países africanos, num percurso que ultrapassou vinte e cinco mil quilómetros.

Orlando de Carvalho, Os Santos de João Paulo II, Livro II, Edições Lusodidacta, Loures.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Oração no início da catekese

“Oração a Maria e José,
pelos catequistas e catequizandos”



As nossas crianças e adolescentes,
A Ti tos consagramos, Rainha admirável
E te pedimos:
Nos momentos de maior dificuldade,
Livra-os de todos os perigos
E guarda-os na Palavra de Deus.

A Ti tos consagramos
para que cresçam na fé
na graça dos dons que Deus lhes deu
e que nós lhes transmitirmos na catequese.

Querida Mãe
Ajuda-nos no nosso ministério de catequistas
A sermos capazes de transmitir o amor de Deus.

Faz  dos nossos encontros de catequese
Igreja reunida em torno de teu Filho Jesus.

Guardai, São José, no espírito de graça e pureza,
Estas crianças que nos foram confiadas
E protegei-as de todo o mal.
Ensinai-nos Maria e José o dom de ensinar,
Como vós ensinastes Jesus.

Intercedei, Maria e José, junto do vosso Menino Jesus
para que a nossa catequese
seja agradável a Deus
e proveitosa às nossas crianças e adolescentes.
Amém.


Orlando de Carvalho