segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Calendário dos trabalhos sinodais



SÍNODO DOS BISPOS
CALENDÁRIO DOS TRABALHOS

III ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

5 Outubro
Domingo



10h
Inauguração Solene
Santa Missa na Basílica de São Pedro
6 Outubro
Segunda-feira



9h00 – 12h30


Primeira Congregação Geral
Saudação do Presidente delegado
Relatório do Secretário-Geral
Relatio ante disceptationem
Discursos livres

16h30 – 19h


2ª Congregação geral
Início do debate geral
TEMA:
Capítulo I
O desígnio de Deus sobre matrimónio e família
A família à luz do dado bíblico  (1-3)
A família nos documentos da Igreja  (4-7)
Capítulo II
Conhecimento e recepção da Sagrada Escritura e dos documentos da Igreja sobre matrimónio e família
(8)
O conhecimento da Bíblia sobre a família  (9-10)
Conhecimento dos documentos do Magistério  (11)
A necessidade de sacerdotes e ministros preparados  (12)
Acolhimento diversificado do ensinamento da Igreja  (13-14)
Alguns motivos da dificuldade de recepção  (15-16)
Promover um melhor conhecimento do Magistério  (17-19)

18h – 19h
Intervenções livres
7 Outubro
Terça-feira



9h – 12h30


3ª Congregação geral
Continuação do debate geral
TEMA:
Capítulo III
Evangelho da família e lei natural
O nexo entre Evangelho da família e lei natural  (20)
Problemática da lei natural hoje  (21-26)
Contestação prática da lei natural sobre a união entre homem e mulher  (27-29)
Desejável renovação da linguagem  (30)
Capítulo IV
A família e a vocação da pessoa em Cristo
A família, a pessoa e a sociedade  (31-34)
À imagem da vida trinitária  (35)
A Sagrada Família de Nazaré e a educação para o amor  (36-38)
Diferença, reciprocidade e estilo de vida familiar  (39-42)
Família e desenvolvimento integral  (43-44)
Acompanhar o novo desejo de família e as crises  (45-48)
Uma formação constante  (49)

16h30 – 19h


4ª Congregação geral
Continuação do debate geral
TEMA:

II PARTE
A PASTORAL DA FAMÍLIA FACE AOS NOVOS DESAFIOS
Capítulo I
A pastoral da família: as várias propostas em acção
Responsabilidade dos Pastores e dons carismáticos na pastoral familiar  (50)
A preparação para o matrimónio  (51-56)
Piedade popular e espiritualidade familiar  (57)
O apoio à espiritualidade familiar  (58)
O testemunho da beleza da família  (59-60)

18h – 19h
Intervenções livres
8 Outubro
Quarta-feira



9h – 12h30


5ª Congregação geral
Continuação do debate geral
TEMA:

Capítulo II
Os desafios pastorais da família
(61)
a) A crise da fé e a vida familiar
A acção pastoral na crise de fé  (62-63)
b) Situações críticas internas à família
Dificuldades de relação / comunicação  (64)
Fragmentação e desagregação  (65)
Violência e abuso  (66-67)
Dependências, mass media e social networks  (68-69)
c) Pressões externas à família
A incidência do trabalho sobre a família  (70-71)
O fenómeno migratório e a família  (72)
Pobreza e luta pela subsistência  (73)
Consumismo e individualismo  (74)
Contratestemunhos na Igreja  (75)
d) Algumas situações particulares
O peso das expectativas sociais sobre o indivíduo  (76)
O impacto das guerras  (77)
Disparidade de culto  (78)
Outras situações críticas  (79)

16h30 – 19h


6ª Congregação geral
Continuação do debate geral
TEMA:

Capítulo III
As situações pastorais difíceis
A. Situações familiares  (80)
As convivências  (81-82)
As uniões de facto  (83-85)
Separados, divorciados e divorciados recasados  (86)
Os filhos e quantos permanecem sozinhos  (87)
As mães solteiras  (88)
Situações de irregularidade canónica  (89-92)
Sobre o acesso aos sacramentos  (93-95)
Outros pedidos  (96)
Sobre os separados e os divorciados  (97)
Simplificação das causas matrimoniais  (98-102)
A atenção às situações difíceis  (103-104)
Não-praticantes e não-crentes que pedem o matrimónio  (105-109)
B. Sobre as uniões entre pessoas do mesmo sexo
Reconhecimento civil  (110-112)
A avaliação das Igrejas particulares  (113-115)
Algumas indicações pastorais  (116-119)
Transmissão da fé às crianças em uniões de pessoas do mesmo sexo  (120)

18h – 19h
Intervenções livres
9 Outubro
Quinta-feira



9h – 12h30

III PARTE
A ABERTURA À VIDA E A RESPONSABILIDADE EDUCATIVA
Capítulo I
Os desafios pastorais acerca da abertura à vida
(121-122)
Conhecimento e recepção do Magistério sobre a abertura à vida  (123-125)
Algumas causas da difícil recepção  (126-127)
Sugestões pastorais  (128)
Sobre a prática sacramental  (129)
Promover uma mentalidade aberta à vida  (130-131)

16h30 – 19h


8ª Congregação geral
Continuação do debate geral
TEMA:

Capítulo II
A Igreja e a família diante do desafio educativo
a) O desafio educativo em geral
O desafio educativo e a família hoje  (132)
Transmissão da fé e iniciação cristã  (133-134)
Algumas dificuldades específicas  (135-137)
b) A educação cristã em situações familiares difíceis  (138)
Uma visão geral da situação  (139-140)
Os pedidos dirigidos à Igreja  (141-145)
As respostas das Igrejas particulares  (146-150)
Tempos e modos da iniciação cristã das crianças  (151-152)
Algumas dificuldades específicas  (153)
Algumas indicações pastorais  (154-157)

18h – 19h
Intervenções livres
10 Outubro - Sexta-feira



9h – 10h30

9ª Congregação geral
Audição dos Ouvintes

11h – 12h30
Círculos menores (I Sessão)
Eleição do Presidente e Relatores

16h30 – 19h
10ª Congregação geral
Audição dos Delegados fraternos
11 Outubro - Sábado



9h00 – 12h30
Féria
Preparação da Relatio post disceptationem

16h30 – 19h
Féria
Preparação da Relatio post disceptationem
12 Outubro - Domingo




Féria
Preparação da Relatio post disceptationem
13 Outubro – Segunda-feira



9h – 12h30

11ª Congregação geral
RELATIO POST DISCEPTATIONEM
Intervenções livres

16h30 – 19h
Círculos menores (II Sessão)
14 Outubro - Terça-feira



9h – 12h30
Círculos menores (III Sessão)

16h30 – 19h
Círculos menores (IV Sessão)
15 Outubro - Quarta-feira



9h – 12h30
Círculos menores (V Sessão)

16h30 – 19h
Círculos menores (VI Sessão)
16 Outubro - Quinta-feira



9h – 10h
Círculos menores (VII Sessão)

10h
Entrega dos trabalhos na Secretaria

10h30 – 12h30

12ª Congregação geral
Relatório dos círculos
Intervenções livres

16h30 – 19h
Féria
Elaboração definitiva da Relatio Synodi
17 Outubro - Sexta-feira



9h – 12h30
Féria
Elaboração definitiva da Relatio Synodi

16h30 – 19h

13ª Congregação geral
Leitura do projecto Nuntius
Intervenções livres
18 Outubro - Sábado



9h – 12h30

14ª Congregação geral
Apresentação da RELATIO SYNODI
Leitura e aprovação do Nuntius final

16h30 – 19h

15ª Congregação geral
Aprovação da RELATIO SYNODI
Conclusão - Saudações
19 Outubro - Domingo



10h30

Missa Solene concelebrada
para a conclusão do Sínodo e a beatificação do Servo de Deus Paulo VI na Praça de São Pedro

Orlando de Carvalho

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

São pecadores e seguem o papa







Administro um grupo no Facebook em que só é possível publicar sobre o papa Francisco. Penso que o podemos considerar já um grupo grande.
Ao admitir novos membros, costumamos olhar o perfil das pessoas que se candidatam, para tentar evitar que entrem pessoas só com a intenção de publicar qualquer tipo de publicidade, que teremos depois o trabalho de eliminar.
Constatamos um facto que merece reflexão teológica e sociológica, pelo menos.
Muitas pessoas, que já estão no Facebook há anos e não pertencem a qualquer grupo, pedem para aderir a este.
Também pessoas que pertencem a grupos de nudistas, homossexuais declarados, que publicam anedotas e fotografias que não estão conforme o que se denomina normalmente moral ou moral cristã.
Desde logo colocam-se-me duas questões. Quem é esta gente, donde procedem? Que está este papa a fazer?
Esta gente são os povos e as nações até aos confins do mundo. 
Este papa está a abrir os braços a todos os povos e nações, a todas as gentes, todos pecadores, porque os santos se relacionam directamente com Deus, não precisam do papa a intermediar. Está a mostrar à Humanidade o sorriso misericordioso de Deus.
(Cabe aqui um parêntesis para assinalar que há uns séculos atrás, entre todos os colonizadores, os portugueses e os jesuítas portugueses fizeram algo de semelhante que foi interrompido pelas forças de pressão europeias, francesas e espanholas, em especial, junto da Sé Apostólica).
Deus abençoe este papa e o faça instrumento de chamamento de muitos à Casa do Pai.

Orlando de Carvalho


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Uma bicicleta do diabo!


Nunca naquela aldeia do interior de Portugal se tinha visto uma bicicleta, nem ao natural, nem em imagens, nem se tinha ouvido falar de tal coisa.
Estava-se em finais da monarquia ou princípios da república, mais coisa, menos coisa.
Um rapaz de uma ladeia ali perto, que andava a arrastar a asa a uma moçoila dali, lembrou-se de comprar uma bicicleta, coisa que já tinha visto em Coimbra, e pois, montado numa máquina daquelas, certamente teria mais facilidade em conquistar a rapariga que já amava.
Dito e feito, no Domingo de manhã, mesmo à hora da missa estar para começar, quando aquela que ele queria tocar no coração estivesse com a família e as amigas já no adro da igreja, ele iria passar num galanteio deveras exibicionista.
E o efeito da bicicleta foi de arromba!
Foi a moça e foram as amigas atrás da bicicleta, foram os rapazes da aldeia, jovens e menos jovens, até alguns mais velhos que se mexiam melhor, à mistura com os cães a ladrar, enfim, a aldeia foi em peso atrás da bicicleta. Bem, não foram todos: o padre e o sacristão ficaram para a missa e mais um ou outro fiel.
Indignado, o padre tratou de ir saber que máquina era aquela, logo nesse Domingo à tarde.
E à noite, quando todos se preparavam para ir para a cama, ou alguns já lá estariam, tocam os sinos a rebate. Em alvoroço, todos acorrem à igreja, onde as portas estavam abertas e a iluminação toda acesa.
Foram entrando, enquanto se deparavam com o padre, no altar paramentado de negro. Quem teria morrido, perguntavam-se?
Com a igreja cheia, o padre falou:
- Irmãos, o demónio anda à solta aqui na aldeia! Aquela máquina que viram hoje de manhã, com um diabrete montado nela, é uma das maiores obras de Satanás. Todos estão proibidos de se aproximar de máquinas daquelas. Estive a rezar e percebi que o Demónio inventou aquela máquina para acabar com os fiéis na missa. Quem for por Deus não volta a chegar perto de uma coisa daquelas e vem à missa. Quem se quiser sujeitar à tentação do maligno e olhar para uma bicicleta, que só existe para afastar os filhos de Deus da Santa Igreja, pois que siga o trilho da perdição.

Assim acabou a vida das bicicletas naquela aldeia, pois aquilo era obra do diabo, tão grande que as pessoas até deixavam de ir à missa. Pobre do padre que não foi capaz de guiar as suas ovelhas com melhor discernimento e motivação para o encontro com o Senhor.

Orlando de Carvalho
História ouvida num retiro.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O lugar do sacrário

Sacrário do Hospital Cuf Descobertas

Durante a celebração da missa, é proibida a exposição do Santíssimo Sacramento.
Importa saber que há várias formas de expor o Santíssimo, as razões porque se faz essa exposição e a justificação da regra que proíbe essa exposição simultânea com a missa.
Esclareçamos bem todas estas situações, porque elas se vão reflectir na própria arquitectura interior do templo e na disposição do respectivo mobiliário.
Desde os primeiros tempos da Igreja, logo que os cristãos começaram a entender o sentido do Pão consagrado e a sentir a necessidade dEle nas suas vidas, para além do ritualismo celebrativo, começou a delinear-se um duplo esquema perante a realidade do Pão fora da missa: por um lado, um sistema de alimentação com o Pão da Vida os que não podiam participar na Celebração da Partilha, por doença ou por retenção forçada, de modo especial os que estavam presos por causa da Fé; por outro lado, um sistema que permitisse alimentar os doentes graves súbitos ou acidentados, em perigo de morte antes de se celebrar novamente a eucaristia.
Deste modo surge o conceito de reserva eucarística, para atender os casos que precisavam de uma solução imediata. O Pão precisava de ser guardado com uma dignidade apropriada, tanto em relação ao recipiente como ao espaço onde se guardasse o próprio recipiente. Há escritos que relatam casos em que os fiéis levam para suas casas e conservam lá o Pão consagrado, para se alimentarem e para ser usado nos casos já referidos. Há também instruções precisas sobre o modo como o pão devia ser guardado, de modo a não ser atacado, por exemplo, por ratos.
Logo que surge a hipótese de erigir e manter capelas ou oratórios mais ou menos estáveis, é aí que o Pão passa a ser conservado. Surgem os sacrários: lugares da maior sacralidade onde permanece o Deus Vivo, em corpo, sangue, alma e divindade, como virá a ser definido mais tarde. A compreensão de que se trata do Deus vivo levanta alguns problemas em relação a deixá-lO sozinho nalgum lugar. Por outro lado, torna evidente que a relação com o Deus invisível, o diálogo com Ele pode ser feito de um modo mais perceptível. Foi certamente com grande alegria que os nossos antepassados na Fé fizeram a descoberta da possibilidade de contemplar a adorar Jesus presente no Pão conservado nos sacrários.
Hoje, a exposição do Pão consagrado para adoração pelos fiéis faz-se de modos diversos. Simplesmente, dentro do sacrário, junto do qual qualquer fiel que entre na igreja se pode chegar e conversar com o Senhor; dentro do mesmo sacrário, com a porta aberta, significando e permitindo uma maior intimidade; em alfaias litúrgicas apropriadas, chamadas custódias ou ostensórios. Custódias porque custodiam, guardam, o Corpo do Senhor; muitas vezes, de modo artístico e teológico, do centro onde se coloca a hóstia consagrada, irradiam raios, como de um sol, explicando que Jesus é a nossa luz, o nosso sol, e nestes casos podemos chamar ostensórios a estas alfaias. A exposição para adoração também pode ser feita com a deposição do Pão numa outra alfaia, a patena.
Sobre os fiéis reunidos para a adoração também muito haveria a dizer, mas vamos cingir-nos a falar de uma atitude de humildade, de piedade e de escuta do Senhor.
Durante a missa, o altar onde se vão colocar o pão e o vinho a fim de serem consagrados, transubstanciando-se no Corpo e Sangue de Nosso Senhor, ocupam o lugar central. É na expectativa deste milagre que acontece de cada vez que celebramos missa que o povo acorre às igrejas, à hora da eucaristia. A presença do sacrário pode causar alguns problemas práticos e teológicos, mesmo de consciência. Centrar a atenção sobre os acontecimentos que sucedem no altar, mesmo antes da consagração estar concluída ou no sacrário? Qual é a ordem de importância destes dois lugares? Ao deslocar-se na igreja, o fiel reverencia preferencialmente o altar ou o sacrário? E Jesus está verdadeiramente num lugar e noutro.
Esta situação complica-se quando se alinham no mesmo eixo que atravessa a Assembleia o altar, a cátedra do presidente e o sacrário; e quantas vezes, atrás do sacrário a cruz e o orago, ou um destes.
Recordo a situação que me constrangeu e que se passou com um sacerdote meu amigo. Tendo tomado posse há pouco tempo como pároco, dou com ele a presidir à festa de Natal da catekese, sentado na cátedra, no tal alinhamento, mas a cátedra na frente do altar. Estava numa magnificência total. Eu não conhecia esta faceta do padre Manuel Gonçalves, até pensava que ele nunca ousaria assumir tal exuberância. Fiquei aborrecido, mas não tive coragem de lhe dizer nada. Só se fez luz no meu cérebro quando, muito mais tarde – talvez em vésperas da festa de Natal do ano seguinte – ele me falou do seu desconforto quando o tinham feito sentar na frente do altar a presidir à festa da catekese, com o argumento de que era assim que se fazia lá na paróquia, impedindo-o praticamente de tomar outra opção. Dei-lhe toda a força para que se sentasse onde e como se sentisse mais confortável (e eu também).
Voltando à questão da exposição do Santíssimo Sacramento. É proibido que se faça em simultâneo com a celebração da missa. Se por acaso se estiver a fazer uma exposição e adoração de 24 horas e, no meio, se celebrar missa, o Santíssimo deve ser recolhido e voltar a ser exposto só após a missa.
Ao determinar deste modo, em coerência, a Igreja está a orientar no sentido de que se evite o tal alinhamento nas igrejas. E há muitos modos de o evitar. O mais elegante é desalinhar o sacrário. Quando a reserva que contém o Pão vivo está num dos lados da capela-mor ou numa capela lateral destinada a esse efeito, facilita a vida a quem vai à igreja, fora da missa, para adoração do Santíssimo no sacrário ou simplesmente para orar. Pretender que o sacrário esteja no alinhamento central acaba por ser um modo de retirar mérito ao santo sacrifício da missa.
Também há igrejas que optam por deslocar a cátedra para uma das laterais do presbitério. Esta hipótese tem contra si o corte no diálogo entre o presidente da assembleia eucarística e a Assembleia, em muitos casos. É muito importante que os fiéis vejam bem o que se passa sobre o altar e vejam bem a cara do presidente, que representa a Assembleia, no qual está presente o Senhor e com quem a Assembleia dialoga.
Nos tempos que se seguiram ao Concílio Vaticano II gerou-se alguma polémica que tem a ver com este assunto. O orago da igreja deve ou não estar na capela-mor por trás e acima do sacrário? Em muitas igrejas, tiraram-no e substituíram-no por uma cruz. Parece-me que se o efeito estético é agradável e não existem erros teológicos ou litúrgicos, não há razão para alterar a disposição do que faz parte do templo. Quando existe, deve fazer-se. Mas evitando a polémica, porque o essencial tem que ser superior ao gosto de cada um.

Para concluir, é importante que todos entendam a importância de um lugar reservado para ficar em silêncio em adoração. O que não é o mesmo que ficar numa igreja grande diante de um sacrário monumental e central, presidindo a todo o recinto. Isto não se aplica a tempos reservados a adoração comunitária com a devida exposição do santíssimo no lugar de maior destaque da igreja. 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O primeiro sacramento


O primeiro sacramento, numa ordenação que tenha em conta a sequência porque são administrados pela Igreja é o Baptismo. Mas podemos imaginar uma maneira diferente para a determinação do primeiro sacramento. Antes de Jesus, já havia vida sacramental, o Espírito Santo já se manifestava entre os homens e nos homens.
Centremo-nos na vida humana conforme a Sagrada Escritura no-la apresenta.
[No sexto dia] Deus disse: «Que a Terra produza seres vivos conforme a espécie de cada um: animais domésticos, répteis e feras, cada um conforme a sua espécie». E assim se fez. Deus fez as feras da Terra, cada uma conforme a sua espécie; os animais domésticos, cada um conforme a sua espécie; e os répteis do solo, cada um conforme a sua espécie. E Deus viu que era bom. Então Deus disse: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele domine os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra». Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus Ele o criou; e criou-os homem e mulher.
Deus abençoou-os e disse-lhes: «Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei e submetei a terra; dominai os peixes do mar, as aves do céu e todos os seres vivos que rastejam sobre a terra». E Deus disse: «Vede! Entrego-vos todas as ervas que produzem semente e estão sobre toda a Terra, e todas as árvores em que há frutos que dão semente: tudo isso será alimento para vós. E a todas as feras, a todas as aves do céu e a todos os seres que rastejam sobre a terra e nos quais há respiração de vida, dou a relva como alimento». E assim se fez. Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: foi o sexto dia. (Génesis 1, 24-31)
Embora a uma bênção não corresponda necessariamente um sacramento, a cada sacramento está associada uma bênção, uma bênção especial e uma missão que deve ser realizada com a ajuda dessa bênção.
Ora, o texto do Livro do Génesis contém a primeira bênção bíblica. A que eu ouso chamar sacramento. Deus moldou uma criatura à sua imagem e, uma criatura dualista porque contém em si duas partes que são complementares, que se ajustam. Sabemos hoje cientificamente que esse ajustamento não é apenas físico, mas fisiológico, intelectual, emocional, funcional, energético, social.
A primeira bênção de Deus surge-nos como sacramento. Deus abençoa o homem na sua dualidade. Por isto, será melhor chamá-lo de pessoa e não apenas de homem. Porque Deus criou a pessoa homem e mulher, intrinsecamente ligados. A missão associada a este sacramento está explícita no texto bíblico:
Sede fecundos!
Multiplicai-vos!
Enchei e submetei a terra!
Submetei a Natureza!
A Natureza será o vosso sustento!
O matrimónio é a fórmula actual deste primeiro sacramento de que Deus foi ministro. Ao contrário do que sucede na actualidade entre os cristãos, o casamento não foi uma opção entre um homem e uma mulher que Deus abençoou, mas uma escolha de Deus. O ministro deste primeiro matrimónio, ao contrário do que sucede entre os cristãos de hoje, em que os ministros são os noivos, e que foi também o primeiro sacramento da História, foi Deus. O Senhor criou os noivos, apresentou-os, abençoou-os e deu-lhes uma missão concreta para realizarem sob aquela bênção, a fecundidade. A continuação da espécie humana na terra passou a ficar a cargo daquele casal e da vida que deles emanasse, estabelecendo-se uma parceria de Criação na continuidade entre Deus e as pessoas. A preservação da espécie humana também ficou confiada às pessoas. Submetei a Natureza.
Nem todos podemos responder do mesmo modo a esta solicitação para ser colaboradores activos com a Criação, neste sentido demográfico e sexuado. Jesus não o foi. Qualquer celibatário pode receber esta bênção de modo diferente daquilo a que chamamos matrimónio. Os que educam as crianças que são filhas de outros, os que extraem da terra alimento que é sustento de vida para os outros, tantos, tantos que vivem a bênção de Deus, dada aos nossos pais Adão e Eva de modo tão diverso.
Nos nossos dias, fala-se de divórcio, fala-se de uniões de pessoas homossexuais, fala-se de aborto e de eutanásia. Normalmente estas atitudes são apresentadas como reivindicações justas pelas pessoas a quem interessam. A minha proposta vai no sentido de, em vez de reivindicar esse direito, as pessoas interessadas tentem olhar para si mesmas como criaturas abençoadas por Deus, tão abençoadas que são imagem de Deus, são filhas e filhos de Deus. É à luz desta bênção que estes devem olhar para as suas vidas e as suas opções. Não só estes, mas todos nós. Em relação a nós e em relação a estes irmãos.
Sabemos que há bebés que nascem com órgãos sexuais indefinidos, sem órgãos sexuais ou com órgãos sexuais dos dois sexos. É difícil entender como isto pode suceder. Para nós humanos, crentes num Deus misericordioso, isto pode parecer uma limitação ao poder e ao amor de Deus, um erro da Natureza. Pois. Convém confiar sempre no amor extremoso de Deus, na sua ternura por nós, na divina misericórdia, que não chocaram com o santo sacrifício da Cruz, nem chocam com as nossas cruzes quotidianas. Também nós temos de ser misericordiosos, uns para com os outros. Para com os que compreendem aquela bênção de Deus de modo diferente de nós; para com aqueles que recebem connosco a bênção e precisam depois da nossa paciência e do nosso perdão, pela dificuldade na fidelidade ao compromisso sacramental. Esta fidelidade pode ser no sentido habitual da fidelidade conjugal, mas em muitos outros aspectos: quem agride o cônjuge, quem fala mal do cônjuge, quem não se doa ao cônjuge, está a amesquinhar a bênção divina do matrimónio. Um matrimónio sem a bênção explícita da Igreja em que os cônjuges se amam e são fiéis em todos os sentidos, parece-me bem mais matrimónio que um outro abençoado por um bispo em nome de Deus em que a fidelidade e o amor doação sejam inexistentes.

Este artigo, quem o ler, pode continuá-lo na sua vida. Foi para isso que o escrevi. Para que se releia o texto bíblico e à luz destas considerações a vida das (algumas) pessoas possa ser enriquecida. 

Orlando de Carvalho

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

É heresia rezar a Maria?

Na homilia da missa de hoje, 15 de Agosto de 2014, transmitida em directo pela Rádio Renascença, foi dito que não se reza a Maria, mas apenas a Deus.

O cónego Rui Osório

O cónego Rui Osório festejava os 50 anos de ordenação sacerdotal e, nesta festa maior da Igreja, em que os fiéis celebram a Assunção de Maria aos Céus, honrando-a, como Deus, pelo dom que a Senhora nos deu a todos - Jesus Cristo, Único Salvador do Mundo - deitou da boca para fora esta descoberta: não rezeis a Maria! Eu não rezo a Maria. Rezamos apenas a Deus.
Isto foi difundido para todo o país (apenas?), aos microfones da Rádio Renascença, a Emissora Católica Portuguesa. 

Nesta ligação escutamos a papa Francisco a rezar a Maria, Rainha da Paz, para que interceda pela paz. Há muitos exemplos em que papas e outros fiéis da hierarquia rezam a Maria e a santos, isto é, dirigem-se a Maria e a santos através de palavras, pedindo a sua intercessão junto de Deus. Rezar não é adorar. Aos microfones da Rádio Renascença e durante uma Eucaristia, este padre afirmou uma heresia, como se a Igreja não acreditasse e proclamasse a comunhão dos santos.

A Conferência Episcopal não pode ignorar este facto e deve repor a verdade.

Que Maria, Mãe celestial, ilumine a Igreja e os que nela têm a responsabilidade de ensinar.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Fundar e fundamentar uma comunidade cristã

Temos escutado diferentes opiniões sobre a questão importante para o estabelecimento e crescimento das comunidades paroquiais e outras comunidades de fiéis de saber se o fiel deve ser responsável por ir ao encontro aos locais de acolhimento e de culto que existem à disposição, ou se deve haver uma descentralização e ir ao encontro do fiel.
Na minha opinião, é necessário ir ao encontro das pessoas, mostrar-lhes Jesus e o Evangelho, de tal modo que as pessoas se apaixonem. Mas aí, já não se coloca o problema de proximidade dos locais de reunião, porque é a pessoa convertida que sente necessidade de ir ao encontro e, mais, de ir anunciar para mais longe.
Na paróquia de Caneças existe um lugar chamado Casal Novo. Fica distante da igreja paroquial e, de facto, os paroquianos dessa zona deviam, em muitos casos, ficar impossibilitados da missa dominical.
Arranjou-se um terreno em Casal Novo. Construiu-se uma estrutura de armazém do género de pré-fabricado e lá foi a igreja. Um cruzeiro em forma de Cristo-Rei, na frente da igreja, e outro cruzeiro simples no outro extremo do terreno a marcar o adro. O espaço está cercado com rede. Levantou-se uma estrutura em ferro e comento e ficaram com um palco ao ar livre. Uma outra estrutura é o bar. 
Local de catekese, de reunião para as celebrações, de convívio cristão entre as pessoas.
Parece-nos um exemplo a ser observado, em especial por todas as pessoas que vivem em comunidades com esta limitação da situação periférica para a prática sacramental e evangélica.
Seguem vídeos e fotografias do local. Tudo muito simples, muito 'barato', com características que devem agradar a Nosso Senhor que nasceu entre pastores e escolheu pescadores.

Orlando de Carvalho


E em mais detalhe o bar na sua simplicidade





Algumas fotos do conjunto

O pórtico


Encimado por uma cruz em ouro trabalhada


Para que se saiba que paróquia é ali




Aqui é Casa de Deus


Assembleia onde se reza Pai Nosso...


Cristo reina, Cristo impera


Onde os passarinhos vêm fazer os ninhos


Que importa o que lá fazem de noite, do lado de fora


O palco


O cruzeiro na outra extremidade do campo


O painel com informação na igreja paroquial informa que no 'barracão' do Casal Novo se celebra missas durante a semana e que se realizam lá encontros de catekese.