domingo, 16 de novembro de 2014

São Marcos no ano B 2014-2015


O Evangelho segundo São Marcos é o mais antigo de todos os evangelhos canónicos. É também o mais pequeno. É também o mais centrado na humanidade de Jesus, porque as questões teológicas básicas estavam ainda para ser analisadas, ou mesmo levantadas.
Uma boa decisão para qualquer cristão é ler todo o Evangelho escrito por Marcos no final deste mês de Novembro ou em Dezembro. 
No dia 30 de Novembro (dia 29 ao meio dia) começa um novo ano litúrgico, ano B, em que as leituras das missas são preferencialmente escolhidas deste Evangelho.
Marcos baseou-se na tradição oral, em alguns escritos que alguns registavam e fez a sequência que depois surge em todos os três evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas), sendo por isso, em larga medida, responsável. 
Em Marcos assistimos à revelação de Jesus que se vai produzindo de modo progressivo. Ele insiste diversas vezes na dificuldade que os discípulos sentiam em compreender as novidades que Jesus lhes ensinava, alternando em confessar o messianismo e a divindade de Jesus e negando-o. 
Finalmente, perante o sumo-sacerdote Jesus revela-se confirmando que é o Messias, o Filho de Deus. E o seu reconhecimento oficial é feito por um pagão romano: Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus (Mc 15, 39).
Marcos apresenta a vida de Jesus como combate contínuo contra a mal, a doença, a morte, o pecado. No final apresenta a Cruz, como sinal da vitória, sabendo o escândalo que isso provocava na altura.
Uma interessante narrativa do ponto de vista literário e do ponto de vista teológico, o modo mais básico e primário de descobrir o homem Jesus, que se revela Deus encarnado.

Orlando de Carvalho

domingo, 9 de novembro de 2014

A porta da igreja



Desde que existe uma igreja presbiteriana perto de mim, há uma coisa que tem chamado a minha atenção de modo especial. Não são as manifestações musicais que ecoam pelas ruas, nem a quantidade de crianças. É a porta que tem chamado a minha atenção.
Há três reuniões por semana, conforme informação na porta de entrada. Nessas ocasiões, a porta está aberta. Melhor, a porta está semiaberta. No restante tempo, a porta está fechada. 
Lembrei-me então que se passa o mesmo com as diversas confissões e seitas que por aqui existem: a porta abre-se para as reuniões, normalmente abre-se meia-porta, deixando passar para o exterior uma imagem de espaço reservado aos do grupo.
Não é assim nas igrejas católicas (nalguns casos, teremos de dizer que não devia ser assim).
As portas escancaram-se e todos entram - quantas vezes bêbedos incómodos, sem abrigo esfarrapados, gente que leva motorista, meninas de pernas ao léu, senhoras de véu antigo, crianças ruidosas que não são separadas numa sala à parte com ama. 
Durante a semana, a maioria das igrejas abre a porta todos os dias. E pena é que assim não seja em todos os casos, porque mais parecem igrejas protestantes que católicas.
Não, não somos uma igreja de tristes e fechados, somos uma Igreja de gente alegre e colorida, de gente divina.
Que as portas das nossas igrejas católicas estejam sempre abertas e acolhedoras, que cada católico transporte dentro de si esta regra: abrir os braços, escancarar as portas, acolher a todos por igual.

Orlando de Carvalho

Útero da Igreja




Vista do altar-mor da igreja do Seminário dos Olivais, em Lisboa

O útero que gera os fiéis que compõem a Igreja, logo o útero da Igreja, são as famílias. 
A Igreja gerada nas famílias, ao longo dos tempos, é fertilizada pela Palavra pregada pelos familiares mais velhos, pelos evangelizadores, educadores na fé.
O patriarca Cerejeira falava dos seminários como o coração da Igreja.
Ora, os seminários são temporariamente a casa e família dos padres, por isso prefiro chamar-lhes útero que coração.

Útero ou coração, neste semana de oração pelos seminários, oremos para que os seminaristas sejam bem formados na Palavra e na Caridade, a fim de que alimentem devidamente a Igreja.

Orlando de Carvalho

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Itinerário do Sínodo da Família


11 Maio 2013 – É publicado o documento preparatória da III Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Família

8 Outubro 2013 – Papa convoca Sínodo, secretariado por Dom Lorenzo Baldisseri, é a III Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos

5 Novembro 2013 – É distribuído o Questionário, fazendo toda a Igreja participar com as suas opiniões no Sínodo de modo muito mais directo.

20 Janeiro 2014 – Prazo para entrega das respostas ao Questionário

21 e 22 Fevereiro 2014 – Consistório de Cardeais que debate o tema da Família. O Cardeal Walter Kasper introduz os trabalhos, causando muito irritação nalguns cardeais e a divisão entre eles. Dias depois, o Cardeal Burke manifesta-se publicamente contra as teses reformistas de Kasper.

26 Junho 2014 – Publicação do Instrumentum Laboris (Agenda do Sínodo, que reflecte a participação dos fiéis)

5 Outubro 2014 – Abertura da Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos

19 Outubro 2014 – Encerramento do Sínodo e Beatificação de Paulo VI

2015 – Provavelmente Outubro – Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos que vai concluir a discussão iniciada na Assembleia Extraordinária em Outubro de 2014, mas de facto, em meados de 2013 e que terá passado por uma consulta popular, um Consistório, uma Assembleia Extraordinária do Sínodo e uma Assembleia Ordinária.

Este é um Itinerário resumido

Orlando de Carvalho

Apresentação do Sínodo da Família


Casal Quattrocchi


Terceira Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos (5-19 de Outubro de 2014)
"Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização"

Secretário-Geral: Cardeal Lorenzo Baldisseri
Subsecretário: Mons. Fabio Fabene

"Sínodo", do grego "synodos" (Σύνοδος), significa "caminhar juntos"

A Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, precisamente porque extraordinária, é convocada para resolver um problema particularmente premente, com as directivas adequadas no momento presente, para o bem de toda a Igreja. Difere da Assembleia Geral Ordinária e Especial, tanto pelo reduzido número de participantes como pela curta duração. Além disso, neste caso, pela vontade do Sumo Pontífice, a Assembleia Geral Extraordinária é a segunda etapa num processo que terminará com a Assembleia Geral Ordinária prevista para 2015 e iniciado no Consistório dos Cardeais em 20 e 21 de Fevereiro de 2014.
Recordamos a intervenção do papa Francisco na abertura do Consistório sobre a Família, no início deste ano.
"Amados Irmãos,
Saúdo-vos cordialmente e, convosco, agradeço ao Senhor que nos proporciona estes dias de encontro e trabalho em comum. Damos as boas-vindas de forma particular aos Irmãos que vão ser criados Cardeais, no Sábado, e acompanhamo-los com a oração e a estima fraterna. 
Nestes dias, reflectiremos especialmente sobre a família, que é a célula fundamental da sociedade humana. Desde o início, o Criador colocou a sua bênção sobre o homem e a mulher, para que fossem fecundos e se multiplicassem sobre a terra; e assim a família torna presente, no mundo, como que o reflexo de Deus, Uno e Trino. 
A nossa reflexão terá sempre presente a beleza da família e do matrimónio, a grandeza desta realidade humana, tão simples e ao mesmo tempo tão rica, feita de alegrias e esperanças, de fadigas e sofrimentos, como o é toda a vida. Procuraremos aprofundar a teologia da família e a pastoral que devemos implementar nas condições actuais. Façamo-lo com profundidade e sem cairmos na «casuística», porque decairia, inevitavelmente, o nível do nosso trabalho. Hoje, a família é desprezada, é maltratada, pelo que nos é pedido para reconhecermos como é belo, verdadeiro e bom formar uma família, ser família hoje; reconhecermos como isso é indispensável para a vida do mundo, para o futuro da humanidade. É-nos pedido que ponhamos em evidência o plano luminoso de Deus para a família, e ajudemos os esposos a viverem-no com alegria ao longo dos seus dias, acompanhando-os no meio de tantas dificuldades. Também com uma pastoral inteligente, corajosa e cheia de amor.
Agradecemos ao Cardeal Walter Kasper a preciosa contribuição que nos oferece com a sua introdução. 
Obrigado a todos! Bom trabalho!"
(Papa Francisco)
O Sínodo Extraordinário encerrará no dia 19 de Outubro com a beatificação do Papa Paulo VI, o papa que concluiu o Concílio Vaticano II e deu sentido à colegialidade no governo da Igreja com a instituição do Sínodo dos Bispos, que fará 50 anos em 2015 (Motu proprio Apos­tolica sollicitudo, de Paulo VI, de 15 de Setembro de 1965).
Neste sínodo participam 191 padres sinodais, 4 da Oceania, 29 da Ásia, 38 da América, 42 de África, 78 da Europa.
Participam ainda 16 peritos ou consultores da Secretaria Especial, 38 Ouvintes e 8 Delegados fraternos (de outras Igrejas e comunidades eclesiais) e ainda 12 leigos, entre casais, pais e cabeças de casal.
Esta Assembleia Extraordinária reúne sob o tema ‘Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização’.
Em 2015 a Assembleia Ordinária terá como tema ‘A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo’
Outra etapa e muito importante deste Sínodo foi aquela em que ecoou a voz de todo o Povo de Deus, bispos, presbíteros, diáconos, consagrados e leigos, através das respostas ao questionário anexo ao documento preparatório. A realidade das pessoas, das famílias, das paróquias, junta-se assim ao parecer das entidades qualificadas, numa inédita abertura papal à liberdade de expressão dos fiéis.
O Papa tem apelado aos participantes a que não ponham em primeiro lugar a tentativa de fazer valer os seus pontos de vista, mas que se embrenhem no diálogo mútuo e na compreensão dos pontos de vista dos outros, buscando não uma vitória pessoal, mas a da Verdade, que é Jesus Cristo. Que pensem nas pessoas reais e nos seus sofrimentos e não em conceitos abstractos, fora da realidade.
Cada congregação geral será aberta com o anúncio do tema pelo delegado presidente de serviço, seguido pela intervenção de um casal ​​auditores, que irá oferecer o seu testemunho de vida familiar aos Padres sinodais, contribuindo para a sensibilização e enriquecer a comparação de acções pastorais.
A Relatio post disceptationem, no final da primeira semana será a base para o trabalho da segunda semana no "minores circuli", que os Padres irão considerar, tendo em conta o documento final, o Relatio Synodi. Este trabalho, por fim, ela será entregue ao Santo Padre.

Serão prestada informação à comunicação social. Todos os dias haverá um Briefing em directo, em cooperação com os assessores de imprensa e com a participação de alguns Padres sinodais. O Boletim de Imprensa irá conter as informações do dia. Além disso, o serviço estará activo Twitter para transmitir o resumo em tempo real das notícias mais importantes.

O trabalho dos padres sinodais será acompanhado pelas orações do povo de Deus. Localizado em Roma, Salus Populi Romani, na Capela da Basílica de Santa Maria Maggiore, alguns momentos de oração serão orientados pela Diocese de Roma, e todas as noites, às 18h, um Bispo ou um Cardeal celebrará a missa para a família.
Significativa é a presença das relíquias dos Beatos esposos Zélie e Louis Martin, e sua filha, Santa Teresinha do Menino Jesus, e os do casal abençoado, Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi.
No mundo, oramos nos Santuários, especialmente aqueles que se dedicam à Sagrada Família, mosteiros, comunidades religiosas, dioceses e paróquias.


 Orlando de Carvalho


Famílias: Lede a Bíblia



Após a Missa de Abertura do Sínodo, o Papa Francisco rezou o Angelus.
Para comemorar o centenário da sua fundação, as Edições das Congregações de São Paulo distribuíram 15 mil Bíblias aos fiéis presentes na Praça de S. Pedro. 

O Papa Francisco exortou a cuidar da família, porque ela também é vinha do Senhor.

Depois, a propósito da distribuição das Bíblias, o Santo Padre fez nova exortação:
- Não é para colocarem a Bíblia numa prateleira! É para a lerem muitas vezes, todos os dias, seja individualmente ou em grupo, marido e mulher, pais e filhos; talvez à noite, especialmente aos Domingos. Deste modo, a família pode progredir com a luz e a força da Palavra do Senhor.

Orlando de Carvalho