terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Pai Nosso com Ámen ou sem Ámen


 

 

Tal como Moisés, depois de ter libertado o Povo da escravidão no Egipto e de o ter guiado através do Deserto durante 40 anos, não entrou na Terra Prometida, também João XXIII, que convocou inesperadamente um Concílio Ecuménico, mesmo com a oposição de muitos cardeais e o inaugurou a 11 de Outubro de 1962, não esteve no encerramento do mesmo por ter falecido a 3 de Junho de 1963.

Reunido o Conclave, foi eleito sucessor São Paulo VI, que encerrou os trabalhos conciliares a 8 de Dezembro de 1965.

Coube a São Paulo VI assinar e promulgar todos os documentos que emergiram do Concílio (Constituições, Decretos e Declarações) e os que resultaram das deliberações do mesmo.

Neste contexto, surge em 3 de Abril de1969, o Missal Romano segundo as directivas conciliares.

Um dos itens que alguns têm dificuldade em entender é a oração dominical, ou Pai Nosso, que, em boa hora, São Paulo VI aglutinou à oração pela paz, que é o primeiro dom do Ressuscitado. Ao longo da Eucaristia, os fiéis dirigem-se de modo geral a Deus Pai, mas ao recitar a oração que Jesus ensinou (não podemos esquecer que foi Jesus quem a ensinou), confirmamos a nossa situação de irmãos, filhos do mesmo Pai e manifestamo-lo com votos ou gestos de paz, uns com os outros.

Assim, ao terminar a recitação da oração que Jesus ensinou, não terminamos a nossa oração, continuamos com algo que de Jesus recebemos, logo após a Ressurreição “A paz esteja convosco”.

Por esta razão, na Eucaristia, ao terminar a recitação do Pai Nosso, não dizemos “Ámen”, porque a nossa oração não terminou e continuamos, acompanhando em silêncio as palavras do Presidente da celebração, que em nome de todos prossegue:

“Livrai-nos de todo o mal, Senhor, (…) Vós que sois Deus com o Pai na Unidade do Espírito Santo”

Neste momento termina a oração e o povo responde:

“Ámen”.

E de seguida realizamos o gesto da paz. Este gesto, que também parece de difícil compreensão para alguns fiéis, é de antiga tradição na Igreja. Já era praticado pelos primeiros cristãos no século I, como “ósculo da paz” e é mencionado na Bíblia, por São Paulo, em Romanos 16, 16.

Na recitação do Pai Nosso, fora da missa, portanto apenas a oração que Jesus ensinou, sem referir a paz que Ele nos doou, dizemos “sempre” Ámen”, porque a oração termina aí. Na missa, a oração preparatória da Comunhão começa com a recitação do Pai Nosso, mas prolonga-se no “embolismo”: “Livrai-nos de todo o mal, Senhor…”, como acima referido.

 

A propósito, podemos referir que a palavra “Ámen” é latim e devemos pronunciá-la como “pólen”, “gérmen”, “hífen”, Éden”, “líquen”, “dólmen”. Nunca “amãe”ou “amem”. Claro que este erro linguístico não afecta em nada a devoção ou valor da oração. É uma nota para quem quiser aprender.

 

Orlando de Carvalho

 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Herança de Jesus - Pai Nosso

 Começemos por escutar o Pai Nosso na língua em que Jesus o terá ensinado. Façamo-lo com devoção.

 https://youtube.com/shorts/-gnuEbmCVGk?si=9JVFyzGhmcFxpGA_

 

 

Recebemos do Filho

 

Muito por culpa daqueles que deviam ser anunciadores do Evangelho, testemunhas de Jesus, profetas nos nossos dias, há muitas pessoas que vivem na ignorância do Mistério de Deus e não podem assim beneficiar das alegrias que só se sentem a partir da comunhão íntima com Jesus, e, por Ele, com a Santíssima Trindade.

Daqui ressalta logo a primeira alegria: os antigos evitavam, ou temiam mesma, dizer o nome de Deus, mesmo não tendo uma percepção teológica da natureza de Deus, mas nós, como fruto da Encarnação de Jesus, Deus Filho, nomeamos a toda a hora, nestes tempos, com reverência, mas sem escrúpulos, a Santíssima Trindade, que é o nome de Deus.

Embora na língua inglesa, os cristãos tenham substituído a expressão “my God” por “my godness”, supostamente para não invocarem o santo nome de Deus, como prescrito no segundo mandamento dos dez dados a Moisés no Monte Sinai, nós, e na generalidade das línguas faladas por cristãos, dizemos com naturalidade “meu Deus”, “valha-me Deus”, “ó meu Deus”, e por aí adiante.

Jesus deu-nos uma liberdade de convivermos intimamente com Deus, desde logo no modo de nos dirigirmos a Ele.

Notemos que na língua portuguesa, continuamos a guardar um distanciamento que vai para além do texto do Evangelho. Substituímos “Pai nosso que estás nos Céus”, ao contrário da língua espanhola, francesa, etc., pelo tom reverencial “Pai nosso que estais nos Céus”. Tom que mantemos ao longo de restante oração dominical, da Ave Maria e na generalidade das orações que proferimos espontaneamente ou nos são sugeridas. Deus é Deus, está acima de tudo, porque tudo foi criado por Ele, mas parece que quer ser “Deus connosco”, tudo provém dEle, mas parece que deseja partilhar a vida connosco, de modo solidário, o que nos doa e o que recebe de nós. Sendo Deus, foi o Filho que encarnou, para acampar entre nós, conviver connosco, abraçar, beijar, olhar nos olhos, como um de nós. Saibamos usufruir dessa intimidade que nos lança na felicidade, já hoje, e na eternidade.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Celebrar com as crianças o Domingo 25 Janeiro 2026 (3º Tempo Comum)

 


2026-01-21

DOMINGO III DO TEMPO COMUM

Domingo da Palavra de Deus

Oitavário Unidade dos Cristãos 

 




Oração coleta
Deus todo-poderoso e eterno,
guia a nossa vida de conforme a tua vontade,
para a gente produzir bons frutos e boas obras,
em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, teu Filho.

Ele que é Deus e contigo vive e reina, na unidade do Espírito Santo,
por todos os séculos dos séculos.

 


Cf. 1 Cor 1, 10-13.17
Leitura da Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios

Irmãos: Peço-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que falem todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vocês, e fiquem todos, todos bem unidos, na maneira de pensar e na forma de agir. Eu sei, meus irmãos que há divisões entre vocês, uns dizem: «Eu sou de Paulo», porque gostam mais de Paulo, outros dizem «eu de Pedro», porque gostam mais de Pedro, outros dizem que são «de Cristo».

Eu pergunto: Cristo está dividido? Paulo foi crucificado por vocês? Foi em nome de Paulo que vocês receberam o Baptismo? Na verdade, Cristo não me enviou para baptizar, mas para anunciar o Evangelho; mas não discursos bonitos, porque o que importa é a cruz de Cristo.

Palavra do Senhor.


SALMO 26

Refrão: O Senhor é minha luz e salvação. Repete-se

O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei de temer?
O Senhor é protetor da minha vida:
de quem hei de ter medo? Refrão

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor
todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário. Refrão

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.
Tem confiança e confia no Senhor. Refrão


Cf.  Mt 4, 12-23
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Quando Jesus ouviu dizer que João Batista fora preso, retirou-Se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar.

Desde então, Jesus começou a pregar:

- Arrependam-se, porque está próximo o reino dos Céus.

Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e o seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus:

- Venham e sigam-Me e Eu faço de vocês pescadores de homens.

Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e o seu irmão João, que estavam no barco, na companhia do seu pai Zebedeu, a consertar as redes. Jesus chamou-os e eles, deixaram o barco e o pai, e seguiram-n’O.

Depois Jesus começou a percorrer toda a Galileia: ensinava nas sinagogas, e ensinava o Evangelho do reino e curava todas as doenças entre o povo.

Palavra da salvação.




Oração Universal

Irmãos e irmãs:

Oremos a Deus nosso Pai,

que chamou o povo que andava perdido na escuridão da vida

mas quer iluminar todas as pessoas com a palavra de Cristo,

dizendo cheios de força:

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

1. Pela nossa Diocese e o seu Bispo N… e todas as paróquias e comunidades,

para que seja anunciado e ensinado às pessoas do nossa tempo o Evangelho,

oremos.

 

2. Pelas pessoas que são chamadas por Deus, como os discípulos do Evangelho que escutámos, para que respondam SIM

e recebam a graça de virem a ser pescadores de homens,

oremos.

 

3. Pelos nossos irmãos cristãos que são maltratados, e atacados e mesmo mortos, por falarem em nome de Deus

para que o Senhor venha em seu auxílio

e também pelos que assim tratam os cristãos por ódio à nossa fé,

para que Deus lhes amoleça o coração e eles se arrependam.

oremos.

 

4. Pelos cristãos que vivem divididos, nós somos católicos, outros são anglicanos, outros são ortodoxos, outros são luteranos, e muitos outros grupos,

para não lutarmos uns com os outros, mas sermos capazes de viver em paz, como Jesus pediu,

oremos.

 

5. Por todos nós e as nossas famílias e amigos, que estão doentes, ou estão tristes, ou sozinhos, ou sem dinheiro para comer,

para que quando sairmos daqui

vamos com o coração cheio de Deus e vamos ajudar essas pessoas.

oremos.




Conclusão pelo Presidente da Celebração

 

 


Oração sobre as oblatas

Senhor, aceita e santifica

os dons que apresentamos no altar

para que eles sirvam para a nossa salvação.

Por Cristo nosso Senhor.


Oração depois da comunhão
Deus todo-poderoso,

faz que por termos recebido a tua Palavra

e o teu Corpo e Sangue, nesta Eucaristia
nos alegremos sempre nestes dons sagrados.

Por Cristo nosso Senhor.

 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Natal é o Natal


 

No Natal de 2000, o Centro Comercial Amoreiras afrontou os portugueses e a cultura portuguesa, transfigurando uma imagem central da Cristandade, substituindo o Menino Jesus, Deus encarnado, por uma alface.

O grande desagrado da população obrigou o espaço comercial a recuar e retirar a tal alface do lugar de Deus.

No Natal de 2025, os portugueses e a cultura portuguesa voltam a ser afrontados, agora pela NOS, que desvirtua completamente o Natal e mente sobre o significado do Natal.

Os cristãos celebram o Natal, como meio de louvarem a Deus que veio habitar no meio das pessoas. O Natal é isso, única e exclusivamente. Com ternura e amor, os cristãos, ao longo dos tempos associaram à celebração do amor que tem origem em Deus outras manifestações de carinho, os laços familiares, a alegria da vida, as coisas boa da vida e que nos trazem felicidade.

Mas o Natal celebra-se, e é, sob todas as perspectivas, um louvor e uma acção de graças a Deus que acampou entre nós.

Quando a publicidade deste ano identifica o Natal com festas de empresa, como doces, com o egoísmo de um pai que na noite de Natal rouba um presente a uma criança, blasfema, comete heresia.

O jingle que criaram para o anúncio televisivo pode ser cativante, mas que nós cristãos não alinhemos na descristianização do Natal e da sociedade.