sábado, 2 de maio de 2026

Alexandrina (Maria da Costa) de Balasar


 







Alexandrina de Balasar Alexandrina Maria da Costa é uma mulher do povo que nasceu e viveu em Balasar e a sua vida está envolta num misticismo muito difícil de entender, onde a realidade perceptível a qualquer pessoa se enlaça num mundo de visões e de intimidade com os céus, onde a caridade e a fé próprias de quem caminha neste mundo coexistem com a alegria e a certeza de quem parece viver já a plenitude do Mistério de Deus. Não o viveu neste mundo certamente, ela própria o afirma, todavia a sua determinação, coragem e doação fazem-nos hesitar e interrogarmo-nos, afinal como foi possível alguém passar por esta vida na Terra, desta maneira? De si mesma, diz Alexandrina: “Eu chamo-me Alexandrina Maria da Costa, nasci na freguesia de Balasar, concelho da Póvoa de Varzim, distrito do Porto, a 30 de Março de 1904, numa quarta-feira de trevas e fui baptizada, a 2 de Abril do mesmo ano, era então sábado de Aleluia”. Era a segunda das duas filhas de Ana Maria da Costa– a sua irmã chamava-se Deolinda da Costa. O pai, António Gonçalves Xavier, abandonara a mãe. Os traços da gente minhota, fé e trabalho, adquirem em Alexandrina uma expressão muito forte, de tal maneira que a fazem sobressair entre os seus conterrâneos, primeiro, e a vão distinguindo ao longo da vida como uma pessoa impar na Igreja. Como criança mostrava-se obediente, trabalhadora, sempre disposta para aventuras, sendo frequentemente apelidada de Maria Rapaz. Agia com espontaneidade enquanto revelava um coração bondoso e atento ao sofri mento alheio e agindo sempre de acordo com os ensina mentos cristãos recebidos em casa, desde tenra idade. Em Balasar não havia escola e Alexandrina, com sete anos, vai com a irmã Deolinda para a Póvoa de Varzim, para frequentarem a escola primária. Nesse mesmo ano, em 1911, faz a Primeira Comunhão lá, na Póvoa do Varzim. Diz que nesse momento “fitei a sagrada Hóstia, que ia receber, parecendo-me unir a Jesus, para nunca mais me separar dEle”. Começou então a comungar diariamente. Alexandrina frequentou a escola de Janeiro de 1911 a Julho de 1912, ficando apenas com a primeira classe. Na paróquia é convidada para participar no coro e para dar catequese. Falando de si com a idade de nove anos, Alexandrina deixa--nos esta bela dissertação: “Pelos nove anos, quando me encontrava sozinha, punha-me a contemplar a natureza, o romper da aurora, o nascer do sol, o gorjeio das avezinhas, o murmúrio das águas: entrava em mim uma contemplação pro funda, que quase me esquecia que vivia no mundo. Chegava a deter os meus passos e a ficar embebida neste pensamento: o poder de Deus! E quando me encontrava à beira mar,... Oh, como me perdia, diante daquela grandeza infinita! À noite, ao contemplar o céu e as estrelas, parecia esconder-me mais ainda, para admirar as belezas do Criador!” Numa época em que as mulheres recebiam de salário meta de do que era pago aos homens, e as crianças ainda menos que metade, Alexandrina trabalha com tanto empenho e eficácia que recebe tanto como a mãe. Como adolescente a caminho de ser mulher, começam a distinguir-se-lhe contornos de grande beleza, uns olhos de contagiante vivacidade que manterão essa característica ao longo de toda a vida. Será algumas vezes incomodada, devi do a esses traços de elegância, por gente mal intencionada, homens que procuram aproveitar-se, julgando-a ingénua ou fácil de dobrar e que acabarão por marcar toda a sua vida de sofrimento. Aos doze anos é atingida pela febre tifóide. Recebe o sacramento, então chamado de extrema-unção, mas consegue salvar-se. Aos catorze anos, “andava a apanhar hera numa carvalheira para dar ao gado” e deu uma grande queda. Fica sem se “poder mexer e sem respirar”, mas logo continua a trabalho. O impacto que a coluna vertebral sofreu quando Alexandrina chocou com o solo, provoca-lhe danos que serão irreversíveis e que, embora na altura tenha parecido não ser nada de importância, se agravam com o passar do tempo. A jovem não consegue manter uma postura direita, nem a andar, nem sentada, depois tem de abandonar o trabalho, até começar a deixar de conseguir comer. Na família e nos amigos, Alexandrina não encontra apoio e consolo, mas chacota. Acusam-na de estar a fingir as dores, ridicularizam as posições que ela adopta para minimizar as dores e o pároco ameaça-a com o inferno se ela não comer normalmente! Finalmente vai a um médico que explica que ela “não comia, porque não podia”. As dores continuarão a aumentar mas, pelo menos, as pessoas vão parar de se meter com ela, acusando-a de estar a fantasiar uma doença inexistente. Alexandrina passa então por uma das maiores aflições da sua vida. Oiçamos as suas próprias palavras: “Uma ocasião estando eu, minha irmã e uma pequena mais velha do que nós a trabalhar na costura, avistámos três homens: o que tinha sido meu patrão [e que já a tentara molestar, noutra ocasião], outro casado e um terceiro solteiro. Minha irmã, percebendo alguma coisa e vendo-os seguir o nosso caminho, mandou-nos fechar a porta da sala. Instantes depois, sentimos que eles subiam as escadas que davam para a sala e bateram à porta. Falou-lhes minha irmã. O que tinha sido meu patrão mandou abrir a porta, mas como não tivessem lá obra, não lhes abrimos a porta. Ele conhecia bem a casa e subiu por umas escadas pelo interior da habitação e os outros ficaram à porta onde tinham batido. Ele, não podendo entrar pelo interior por um alçapão que estava fechado e resguardado por uma máquina de costura, pegou num maço e deu fortes pancadas nas tábuas, até rebentar o alçapão, tentando passar por aí. Minha irmã, ao ver isto, abriu a porta da sala e conseguiu escapar-se, apesar de a prenderem pela roupa. A outra pequena foi a segunda a fugir, mas essa ficou presa e eu, ao ver tudo isto, saltei pela janela que estava aberta e que deitava para o quintal. Sofri um grande abalo, porque a janela distava do chão quatro metros. Quis levantar-me logo, mas não pude, porque me deu uma forte dor... Cheia de coragem, peguei num pau e entrei pela porta do quintal para o eirado, onde estava a minha irmã a discutir com um dos dois casa dos. A outra pequena estava na sala com o solteiro. Eu aproximei-me deles zangada e disse que, ou deixavam vir a peque na ou então gritava contra eles. Aceitaram a proposta. Não lhes demos mais confiança; eles retiraram-se e nós continuámos a trabalhar”. O mal de Alexandrina provocado pela queda da árvore fica irremediavelmente comprometido e agravado. As aflições continuarão, porém, a atormentá-la. “Com os meus dezoito anos, vi-me num perigo muito grande inesperadamente. Lembra-me que levava o meu tercinho na mão e que apertei uma medalha de Nossa Senhora das Graças e, de repente, livrei-me do perigo. Foi sem dúvida a Mãezinha do Céu que me vigiou e valeu”. 




Em 1922 passa cinco meses na cama do hospital no Porto, sendo observada pelo médico Abel Pacheco. Em 1924 volta ao Porto onde é observada pelo médico João de Almeida que confirma a sua paralisia gradual. Alexandrina vai andando em médicos mas sem encontrar cura, estes chegam à conclusão que a sua doença se agrava rá gradualmente até ficar paralisada. Foi o que aconteceu. No dia 14 de Abril de 1925, Alexandrina ficou definitiva mente entrevada na cama. Com muita fé, pede a Deus a sua cura, roga a Nossa Senhora, dispondo-se a partir como missionária, se ficasse curada. Pede a cura e vive numa esperança profunda de que o amor de Deus se revelará dessa forma. Vive nesta esperança durante cinco anos. Começa neste ano a celebração anual dos meses de Maria, em Maio, e ela sente um grande desgosto por não ter nenhuma imagem da Mãezinha. É desta forma que Alexandrina trata Maria, a Mãe de Deus, que é também a nossa mãe. Forma idêntica à que Jesus ensinou para usar em relação ao Pai, Abba, Paizinho. Em 1928 prepara-se para ir a Fátima, integrada numa peregrinação que vai da sua terra. Mas o médico e o pá roco impedem-na, argumentando que se ela está a sofrer tanto que nem permite que lhe toquem, na cama, que um simples toque, às vezes lhe causa dores horríveis, como conseguirá levantar-se e empreender tão longa jornada? Alexandrina concorda. 




O pároco traz-lhe de Fátima um terço, uma medalha, um Manual do Peregrino e água – a água da fonte que tantas pessoas apontam como milagrosa. O milagre não se dá como Alexandrina o imaginara. Ela não fica curada da coluna, nem das dores, nem da paralisia. Alexandrina é protagonista de um milagre diferente. Ela vai aceitar o sofrimento, a condição de pessoa imobilizada, com coragem e paciência, e, pedra viva da Igreja de Cristo, num extraordinário hino de louvor a Jesus e de aceitação da vontade de Deus. Ela vai acolher com alegria e generosidade a doença e o sofrimento, oferecendo-se, como vítima imolada pela humanidade. Na missa, os cristãos unem-se ao sofrimento de Jesus, a vítima inocente, no louvor ao Pai. Alexandrina procurará transformar a sua vida num constante acto de louvor ao Pai e intercessão por todos os homens, pedindo ao Pai que aceite o seu sofrimento e que o associe ao sofrimento aceite e oferecido por Jesus. É este oferecimento pessoal de Alexandrina, em união com o oferecimento pessoal de Jesus, o Cordeiro oferecido em holocausto na Cruz e presente na Eucaristia, que originou o nome de “Vítima da Eucaristia”, pelo qual Alexandrina ficou conhecida. Em 1931, interroga: “Meu Jesus, que quereis que eu faça?”. A resposta que ouve, repetir-se-á ao longo dos anos: “Amar, reparar, sofrer”. A partir de 1933, o padre jesuíta Mariano Pinho será o director espiritual de Alexandrina, até partir, exilado para o Brasil. É ele que toma a iniciativa de lhe pedir que faça um diário, através do qual hoje temos conhecimento da rica vivência espiritual desta mulher. No dia 3 de Julho é substituído o pároco de Balasar. O novo pároco, padre Leopoldino, entende alterar o sistema de comunhão de Alexandrina. Em vez da comunhão diária, levar-lhe-á a comunhão apenas uma vez por mês. Naquele tempo não havia ainda na Igreja o serviço dos Ministros Extraordinários da Comunhão para visitar e levar a comunhão aos doentes acamados. Alexandrina, triste com esta situação, continuará a comungar, embora espiritualmente. A 20 de Novembro é celebrada pela primeira vez a Missa no quarto de Alexandrina. A 6 de Setembro de 1934, Alexandrina aceita o convite de Jesus para viver com Ele a sua Paixão: “Dá-me as tuas mãos, que as quero crucificar; dá-me os teus pés, que os quero cravar comigo; dá-me a tua cabeça, que a quero coroar de espinhos como Me fizeram a Mim; dá-me o teu coração, que o quero trespassar com uma lança, como Me trespassaram a Mim; consagra-Me todo o teu corpo, oferece-te toda a Mim, que te quero possuir por completo e fazer o que Me aprouver”. A 11 de Outubro, Jesus, numa das muitas visões de Alexandrina, dirige-lhe um convite: “Ajuda-me na redenção do género humano”. A 20 de Dezembro, Alexandrina compromete-se, perante Jesus, a zelar por todos os sacrários do mundo onde Jesus está sozinho, sem ninguém que lhe faça companhia, e a zelar por todos os pecadores. Alexandrina fará longas vigílias de companhia a Jesus, sozinho nos sacrários, ao mesmo tempo que entrega as suas imensas dores pelos pecadores. Contará que Jesus lhe chamou “mãe dos pecadores”, por este compromisso que ela assume voluntariosamente. Um poema composto por Alexandrina (ou uma oração dirigida por Alexandrina a Jesus Cristo):




Ó meu Jesus, meu Amado, 
No altar sacramentado, 
Por meu amor encerrado 
Nesse sacrário de amor. 

Quisera estar contigo, ó Jesus, 
Dia e noite e a toda a hora, 
Porém, agora não posso ir, 
Bem o sabeis, ó meu bom Pai! 

Estou presinha de pés e mãos; 
Mais presa quisera estar, 
Juntinha a Vós no sacrário, 
Não me ausentar um só momento. 

Ó Sacramento tão adorado 
Do meu Jesus, do meu Amado, 
Eu Vos saúdo aqui do leito, 
Vinde morar neste meu peito! 

Fazei, Senhor, 
Dele um sacrário 
Para eu poder, 
Ó bom Jesus, 
Ser Vossa esposa. 

Ó meu Amado, 
Realizai os meus desejos 
Que são, Senhor, 
Possuir-Vos em mim 
Sacramentado. 

Em 30 de Julho de 1935 Jesus pede a Alexandrina que o Papa faça a consagração do Mundo ao Coração Imaculado de Maria, sua Mãe. Manda Alexandrina transmitir ao seu director espiritual que escreva ao Papa Pio XI nesse senti do. O padre Mariano Pinho escreverá nesse sentido ao cardeal Pacelli, Secretário de Estado do Vaticano. Na Primavera de 1937 Alexandrina está muito doente, pensam que ela está a morrer. Ela própria conta o que aconteceu: “Vi entrar no quarto o senhor Abade e, conhecendo-o, disse-lhe: “Eu quero receber Nosso Senhor”. Ele respondeu-me: “Sim, minha menina, vou buscar-te uma hóstia por consagrar e, se a não vomitares, trago-te Nosso Senhor.” Assim o fez. Logo que engoli a hóstia por consagrar, imediatamente a vomitei. Sua Reverência estava para desistir em me trazer Nosso Senhor, e alguém disse: “Sr. Abade, uma hóstia por consagrar não é Jesus”. Foi então que se resolveu a ir buscar uma consagrada. Recebi-a e não vomitei. 




Nunca mais deixei de receber Jesus Sacramentado por causa desses vómitos. Quantas vezes entrava o senhor Abade no meu quarto para me dar Nosso Senhor, e eu a vomitar! Logo que recebia Jesus, cessavam os vómitos, nunca vomitando antes de passar meia hora. Como era assim, o Senhor Abade nunca temeu em me dar a comunhão. A crise durou bastante tempo, mas, durante dezassete dias, estive sem tomar nada, absolutamente nada. A minha medicina foi Jesus”. Em resposta ao pedido enviado ao Papa, a Santa Sé questiona o arcebispo de Braga, que envia um emissário, o padre jesuíta António Durão, para conversar e interrogar Alexandrina a fim de esclarecer o significado do pedido. Durante o Verão deste ano o demónio ataca com maior violência Alexandrina, chegando a atirá-la para baixo da cama. São ocasiões de grande sofrimento para ela e de difícil com preensão para aqueles que são testemunhas oculares desse sofrer. O padre Mariano Pinho escreve aos bispos portugueses, pedindo-lhes que intercedam junto do Papa para que ele faça a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. A Santa Sé de novo questiona o arcebispo de Braga que envia o cónego Manuel Vilar, para interrogar Alexandrina sobre o seu pedido. Uma senhora de Lisboa, Fernanda dos Santos, posta ao corrente da situação de Alexandrina e das suas absolutas necessidades financeiras, dispõe-se a auxiliá-la daí para diante. Entre 3 de Outubro de 1938 e 20 de Março de 1942, Alexandrina viverá todas as sextas-feiras, durante cerca de três horas e meia, a Paixão de Cristo, percorrendo, e senti do as dores inerentes ao percurso da Via Sacra. Inexplicavelmente, nestes períodos, Alexandrina readquiria a mobilidade e rezava de joelhos, repetindo os movimentos próprios de cada estação da Via Sacra. Ao longo destes anos, diversos médicos e sacerdotes, entre outras pessoas, foram testemunhas destes acontecimentos que se sucederam interruptamente por cento e oitenta e duas semanas. Continuará, todavia, a viver a Paixão de Cristo até final da sua vida, embora, após este período, tal aconteça de forma mais íntima. Em 1938 o padre Humberto Maria Pascoale, que é um salesiano italiano, vem ter com Alexandrina para a auxiliar, pois ouvira falar dela com muita falta de respeito. Será seu director espiritual, acompanhando-a até ao fim da sua vida e entusiasmando-a a continuar a fazer o diário, entretanto interrompido desde a partida do padre Mariano Pinho. Em Dezembro, Alexandrina vai pela terceira vez ao Porto para ser observada por médicos. Desta vez, um psiquiatra é também incluído na lista dos médicos. Em 1939, por três vezes, Jesus prediz a Alexandrina o iní cio da II Guerra Mundial, antes de ela se iniciar, a 1 de Setembro. Alexandrina oferece-se como vítima pela paz. Em Março o cardeal Pacelli é eleito Papa e Jesus diz a Alexandrina que é este o Papa que fará a desejada consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria. Em Junho, na festa do Sagrado Coração de Jesus, Alexandrina escreve, ela mesma, ao Papa a pedir-lhe a consagração do mundo. No Verão de 1940, Alexandrina oferece-se como vítima pela paz no mundo, e em especial em Portugal. Ouve Jesus garantir-lhe que Portugal será poupado à guerra. Em Setembro, Alexandrina escreve também ao cardeal Cerejeira e a Salazar. Alguns bispos apresentam o caso à Irmã Lúcia, pedindo-lhe que interceda, também ela, junto do Santo Padre. A vidente de Fátima fica confusa, pois Nossa Senhora pedira-lhe, em Fátima, apenas a consagra ção da Rússia ao seu Imaculado Coração e não de todo o mundo. Lúcia reza e pede a Jesus que a ilumine. E obtém dEle a confirmação do pedido feito a Alexandrina, em Balasar. Em Junho de 1941 Alexandrina faz a sua quarta viagem ao Porto, para ser novamente observada por médicos. Em Agosto, o Padre José Alves, que presenciara o êxtase de Alexandrina durante a vivência da Paixão de Cristo, numa sexta-feira, publica o facto na imprensa. Este facto vai fazer as pessoas acorrerem à casa de Alexandrina. Tendo vivido pela última vez o êxtase da Paixão, de modo visível, a 20 de Março de 1942, a 27 de Março ela está muito mal e recebe os últimos sacramentos. A partir de 3 de Abril, sexta-feira santa, Alexandrina não voltará a ali mentar-se, nem de alimentos sólidos, nem sequer de água. A comunhão diária será o seu único alimento durante treze anos. No dia 31 de Outubro de 1942, o Papa Pio XII faz final mente a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria, através de uma mensagem transmitida a partir de Fátima, em língua portuguesa. No dia 8 de Dezembro, o Sumo Pontífice repete a consagração solenemente na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Tanto entre os sacerdotes, como entre os leigos, as opiniões acerca de Alexandrina estavam muito divididas. Muitos acusavam Alexandrina de estar a montar um espectáculo, em colaboração com a mãe e a irmã, tanto a respeito dos êxtases da Paixão, mas principalmente quando se começa a divulgar o facto de ela estar há tanto tempo sem comer, nem beber, conseguindo sobreviver. Alexandrina aceita submeter-se a um controlo médico ao seu estado de jejum e anúria (não urinar) absolutos. Entre 10 de Junho e 20 de Julho, Alexandrina fica internada no Refúgio de Paralisia Infantil, no Porto, vigiada vinte e quatro horas por dia. Ao fim dos trinta dias acordados, em que Alexandrina, além de vigiada, foi sistematicamente tentada com alimentos, a pedido de um médico mais desconfiado, o período prolongou-se por mais dez dias, até 20 de Julho. Foi passa do um certificado, assinado por vários médicos de idoneidade inquestionável, em como durante quarenta dias Alexandrina não tinha comido, nem bebido nada, para além da comunhão diária, nem urinado, nem excretado fezes, tendo conservado o peso, a temperatura, a respiração, a tensão, o pulso, o sangue e as faculdades mentais, o que é impossível, do ponto de vista científico. A 25 de Junho de 1944, o arcebispo de Braga, cautelosa mente, proíbe a divulgação dos factos relacionados com Alexandrina Maria da Costa. Todavia, eles vão sendo conhecidos, e as más línguas continuam a fazer furor. Em Outubro de 1946 Alexandrina é colocada sobre tá buas duras, pois a cama macia provoca-lhe muitas dores. Sofrerá sobre estas tábuas até à sua morte. Durante o ano de 1952, face a um notável aumento de pessoas a visitar Alexandrina, o arcebispo de Braga proíbe tais visitas. Continuando as visitas a processar-se e mesmo a aumentar, o arcebispo anula a proibição no final do ano, o que provoca ainda mais visitas. Em 1953, as visitas são num número verdadeiramente despropositado. A 19 de Março, recebe mais de 500 pessoas. A 9 de Maio são quase dois mil os visitantes. A 5 de Junho são cinco mil e a 10 de Junho são seis mil os visitantes. No meio de todo o seu sofrimento, Alexandrina recebe estes visitantes de cara alegre e bem disposta, e fala-lhes, fala--lhes durante bastante tempo. As pessoas vão para a ouvir e as palavras de Alexandrina produzem eco nos corações daqueles que a ela acorrem. Muitos mudam de vida, operando-se neles uma conversão interior. Muitos dos seus êxtases, ao longo deste ano, são presenciados por estes visitantes e alguns são gravados. O último êxtase em público ocorre a 25 de Dezembro. No início de 1955 Jesus diz a Alexandrina que este é o ano da sua morte. Ela parte, para se juntar ao seu noivo celeste, a 13 de Outubro de 1955. Os restos mortais de Alexandrina, depositados no cemitério local, foram trasladados em 1973, para a Igreja Paroquial de Balasar. Alexandrina iniciava sempre o seu dia com esta oração: 

“Sagrado Coração de Jesus, este dia é para Vós”. 

Depois de várias orações, dizia à Mãezinha (Nossa Senhora): 

“Avé Maria, cheia de graça! Eu vos saúdo, ó cheia de graça! Ó Mãezinha, eu quero ser santa! Ó Mãezinha, abençoai-me e pedi a Jesus que me abençoe!”



sexta-feira, 10 de abril de 2026

Divina Misericórdia


 

 Maria Faustina

Era o dia 2 de Abril de 2005, cerca das 22h, em Roma.

O arcebispo Leonardo Sandri, anunciou à multidão de fiéis reunidos na Praça de São Pedro e aos milhões de católicos que em todo o mundo prestavam toda a atenção à televisão ou à rádio:


Às 21h 37m, o nosso querido Santo Padre João Paulo II regressou à Casa do Pai”


Duas horas passadas, o Serviço de Informação do Vaticano difundia a seguinte nota:

«Esta noite, o Senhor Joaquim Navarro-Valls, Director da Sala de Imprensa da Santa Sé, divulgou a seguinte declaração:

O Santo Padre faleceu às 21h 37m nos seus apartamentos privados do Vaticano.

Todos os procedimentos previstos pela Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, promulgada por João Paulo II, a 22 de Fevereiro de 1996, foram desencadeados.

Às 20 h tinha começado a Missa da festa da Divina Misericórdia no quarto do Papa, presidida por Monsenhor Stanislaw Dziwisz, assistido pelo Cardeal Marian Jarowski, por Monsenhor Stanislaw Rylko e por Monsenhor Mieczyslaw Mokrzycki.

Durante a Missa, o Papa recebeu o Viático e a Santa Unção

dos Doentes, pela segunda vez”.»


A forma como viveu a sua morte – parece um paradoxo falarmos de viver a morte – foi provavelmente a última Catequese que João Paulo II fez aos homens. Esta última estação da peregrinação na Terra é uma das mais importantes, quiçá a mais importante. De facto, a coisa mais importante que qualquer pessoa pode ambicionar é a vida e a morte é a porta para a vida verdadeira, dominada pela esperança da felicidade eterna.

O Papa, como quase todos os seus Santos e Beatos, entregou-se pacificamente nas mãos misericordiosas de Deus. Não agiu assim por não ter outra opção – de facto, não temos opção para a morte – mas fez na antecâmara desta transição para a vida celeste, uma Profissão de Fé na Misericórdia Divina. E parece-me que podemos dizer também que Deus, na sua infinita misericórdia nos deixou antever que a sua misericórdia, a mesma da Parábola do Pai Misericordioso (ou do Filho Pródigo), não é apenas uma história, nem somente uma esperança, mas podemos olhá-la já como componente da essência de Deus.

A Igreja inicia a celebração litúrgica do Domingo a partir do meio-dia de Sábado. Ora, o nosso querido Papa partiu para os braços de Deus, ao fim da tarde do segundo Domingo de Páscoa. Precisamente o dia que ele denominara Domingo da Misericórdia Divina. E conforme testemunho de quem esteve perto dele nos últimos momentos, o Papa estava completamente abandonado à vontade de Deus.


Helena Kowalska nasceu em Glogowiec, na Polónia, a 25 de Agosto de 1905. Os pais, Mariana e Estanislau eram camponeses e ela foi a terceira de dez irmãos. Ainda era criança, tinha sete anos, quando sentiu pela primeira vez o apelo de Jesus para se consagrar na vida religiosa.

Aos dezasseis anos começou a trabalhar como empregada doméstica, em casa de famílias abastadas. Com a idade de vinte anos decidiu então responder aos insistentes apelos de Nosso Senhor e consagrar-se-Lhe

totalmente, fazendo-se freira. Foi admitida na Congregação das Irmãs da Bem-aventurada Virgem Maria da Misericórdia e recebeu o nome de Maria Faustina. Viveu em diversas casas da congregação onde exerceu vários serviços de cozinheira, porteira e jardineira.

No Sábado Santo de 1934 ofereceu-se a Deus como vítima pelos pecadores que ainda não conheciam a misericórdia de Deus, colaborando assim na obra de salvação das almas perdidas. Adoeceu depois com tuberculose.

A 5 de Outubro de 1938, regressou à Casa de Deus, cheia de esperança na Misericórdia Divina.

Foi o então ainda Bispo Auxiliar de Cracóvia, Cardeal Karol Wojtyla quem iniciou o processo para a canonização da Irmã Faustina, em 1965.

Em 1981, no Domingo de Cristo Rei, o Papa João Paulo II visitou o Santuário do Amor Misericordioso, em Cracóvia, afirmando:

Há um ano publiquei a encíclica “Dives in misericórdia”.

Pela mesma razão, venho hoje ao Santuário do Amor Misericordioso. Quero, com a minha presença, reafirmar, de alguma forma, a mensagem dessa encíclica. Desejo lê-la e transmiti-la outra vez. Desde o início do meu ministério na Sé Romana, fiz desta mensagem a minha tarefa primordial. Foi um encargo da Divina Providência, perante a situação do homem, da Igreja e do mundo. Foi também esta situação que me levou a sentir-me responsável

perante Deus, pela difusão desta mensagem”.


Já então como Papa, João Paulo II elevou a Irmã Faustina aos altares, proclamando-a Beata a 18 de Abril de 1993, Segundo Domingo da Páscoa. A 30 de Abril de 2000, também Segundo Domingo da Páscoa, Sua Santidade João Paulo II procedeu à canonização da sua compatriota

Maria Faustina, na Praça de São Pedro. Durante a homilia, o Santo Padre ensinou:


É deveras grande a minha alegria, ao propor hoje à Igreja inteira, como dom de Deus para o nosso tempo, a vida e o testemunho da Irmã Faustina Kowalska. Pela Divina Providência a vida desta humilde filha da Polónia esteve completamente ligada à história do século XX, que há pouco deixámos atrás. De facto, foi entre a primeira e a segunda guerra mundial que Cristo lhe confiou a sua mensagem de misericórdia. Aqueles que recordam, que foram testemunhas e participantes nos eventos daqueles anos e nos horríveis sofrimentos que daí derivaram para milhões de homens, bem sabem que a mensagem da misericórdia é necessária. (…)

É importante, então, que acolhamos inteiramente a mensagem que nos vem da palavra de Deus, neste segundo Domingo de Páscoa, que de agora em diante na Igreja inteira tomará o nome de Domingo da Divina Misericórdia”.

Nas diversas leituras, a liturgia parece traçar o caminho da misericórdia que, enquanto reconstrói a relação de cada um com Deus, suscita também entre os homens novas relações de solidariedade fraterna. Cristo ensinou-nos que “o homem não só recebe e experimenta a misericórdia de Deus, mas é também chamado a “ter misericórdia” para com os demais. “Bem-aventurados, os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”

(Mt 5, 7)” (Dives in misericordia, 14). Depois, Ele indicou-nos as múltiplas vias da misericórdia, que não só perdoa os pecados, mas vai também ao encontro de todas as necessidades dos homens. Jesus inclinou-se sobre toda a miséria humana, material e espiritual.

A sua mensagem de misericórdia continua a alcançar-nos através do gesto das suas mãos estendidas rumo ao homem que sofre. Foi assim que O viu e testemunhou aos homens de todos os continentes a Irmã Faustina que, escondida no convento de Lagiewniki, em Cracóvia, fez da sua existência um cântico à misericórdia: Misericordias Domini in aeternum cantabo

A canonização da Irmã Faustina tem uma eloquência particular: mediante este acto quero hoje transmitir esta mensagem ao novo milénio. Transmito-a a todos os homens para que aprendam a conhecer sempre melhor o verdadeiro rosto de Deus e o genuíno rosto dos irmãos. (…)

Esta mensagem consoladora dirige-se sobretudo a quem, afligido por uma provação particularmente dura ou esmagado pelo peso dos pecados cometidos, perdeu toda a confiança na vida e se sente tentado a ceder ao desespero. Apresenta-se-lhe o rosto suave de Cristo, chegando-lhe aqueles raios que partem do seu Coração e

iluminam, aquecem e indicam o caminho, e infundem esperança. Quantas almas já foram consoladas pela invocação


Jesus, confio em Ti”,


que a Providência sugeriu através da Irmã Faustina!

Este simples acto de abandono a Jesus dissipa as

nuvens mais densas e faz chegar um raio de luz à vida

de cada um. (…)

Misericordias Domini in aeternum cantabo (Sl 88, 2).

À voz de Maria Santíssima, “Mãe da misericórdia”, à voz desta nova Santa, que na Jerusalém celeste canta a misericórdia juntamente com todos os amigos de Deus, unamos também nós, Igreja peregrina, a nossa voz.

E tu, Faustina, dom de Deus ao nosso tempo, dádiva da terra da Polónia à Igreja inteira, obtém-nos a graça de perceber a profundidade da misericórdia divina,

ajuda-nos a torná-la experiência viva e a testemunhá-la

aos irmãos! A tua mensagem de luz e de esperança se

difunda no mundo inteiro, leve à conversão os pecadores,

amenize as rivalidades e os ódios, abra os homens

e as nações à prática da fraternidade. Hoje, ao fixarmos

contigo o olhar no rosto de Cristo ressuscitado, fazemos

nossa a tua súplica de confiante abandono e dizemos

com firme esperança:

Jesus Cristo, confio em Ti!

Jezu, ufam tobie!”.


 

 

 

 


A 17 de Agosto de 2003, o Papa João Paulo II recomendou o mundo à Divina Misericórdia, durante a dedicação do Santuário de Lagiewniki, em Cracóvia, junto do convento onde viveu a irmã Maria Faustina. Em 1934 a Irmã Faustina começou a escrever um Diário, por sugestão do seu director espiritual. Lá estão registadas as experiências místicas, as revelações de Jesus, os estigmas que escondia.

A Irmã Faustina teve diversas visões de Jesus.

A 22 de Fevereiro de 1931, enquanto estava na sua cela, a Irmã Faustina teve uma visão de Jesus, vestido de branco com uma mão elevada para abençoar e outra sobre o peito, de onde emergiam, dois grades raios, um vermelho e outro

branco. Jesus disse-lhe: “Pinta uma imagem conforme o modelo que estás a ver e grava as palavras “Jesus eu confio em Ti”. Desejo que essa imagem seja venerada, primeiro na capela, e depois em todo o mundo”. A Irmã concretizou o

pedido do Senhor, pedindo a um artista que pintasse uma imagem de Jesus, de acordo com as instruções que ela lhe dava, como ela O vira, contendo a invocação “Jesus, eu confio em Vós”. Jesus revelou à Irmã Faustina o desejo da

devoção à Misericórdia Divina e a instituição de uma festa litúrgica, no Segundo Domingo de Páscoa, para celebrar a Divina Misericórdia. Jesus pediu também à Irmã Faustina a preparação para esta festa com uma novena, a iniciar-se em Sexta-feira Santa.

No seu Diário, pode ler-se o discurso de Jesus: “Estou a enviar-te com a minha Misericórdia aos povos de todo o mundo. Eu não quero castigar a humanidade sofredora, mas desejo curá-la, abraçando-a com força contra o meu Coração Misericordioso”.

Ela levou uma vida muito simples, como a última das irmãs da sua Congregação, muitas vezes sendo humilhada por não acreditarem na veracidade das suas experiências místicas, das revelações de que era mensageira para a humanidade.

Sempre paciente, ela tornou-se na Apostola da Divina Misericórdia, estendendo esta devoção a todo o mundo.

Podemos considerar três aspectos principais na missão da Irmã Faustina:

Primeiro lembrar o Amor Misericordioso de Deus a cada homem, revelado na Sagrada escritura.

Em segundo lugar, ensinar e divulgar novas formas de cultoà Divina Misericórdia de Deus.

Por fim, iniciar um movimento de apóstolos da Divina Misericórdia, que reavivem o espírito evangélico da confiança e abandono à Misericórdia de Deus e a misericórdia

para com o próximo.





 

quinta-feira, 12 de março de 2026

Apoio com textos para a Eucaristia com crianças de 22 de Março

 


Oração coleta
Pai do Céu, dá-nos a mesma alegria

que teu Filho Jesus sentiu quando, por caridade,

Se entregou à morte pela salvação de todos nós.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus
e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo,
por todos os séculos dos séculos.


LEITURA I Ez 37, 12-14

Leitura da Profecia de Ezequiel
Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço».
Palavra do Senhor.


SALMO 129
Refrão: No Senhor está a misericórdia
e abundante redenção. Repete-se
Ou: No Senhor está a misericórdia,
no Senhor está a plenitude da redenção. Repete-se

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,
Senhor, escutai a minha voz.
Estejam os vossos ouvidos atentos
à voz da minha súplica. Refrão

Se tiverdes em conta as nossas faltas,
Senhor, quem poderá salvar-se?
Mas em Vós está o perdão,
para Vos servirmos com reverência. Refrão

Eu confio no Senhor,
a minha alma espera na sua palavra.
A minha alma espera pelo Senhor
mais do que as sentinelas pela aurora. Refrão

Porque no Senhor está a misericórdia
e com Ele abundante redenção.
Ele há de libertar Israel
de todas as suas faltas. Refrão




EVANGELHO – Cf. Jo 11, 1-45

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João


Naquele tempo, estava doente certo homem, Lázaro, da cidade de Betânia, aldeia de Marta e de Maria, sua irmã. Elas mandaram então dizer a Jesus:

 

- Senhor, o teu amigo está doente.

 

Ouvindo isto, Jesus disse:

 

- Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus. Por meio dessa doença vai ser glorificado o Filho do homem.

 

Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava.

Lá longe, Lázaro acabou por morrer e foi sepultado, segundo o costume dos judeus, num túmulo escavado na rocha e fechado com uma pedra.

 

Entretanto, Jesus disse aos discípulos:

 

- Vamos voltar para a Judeia.

 

Os discípulos disseram-Lhe:

 

- Mestre, ainda há pouco os judeus queriam apedrejar-Te e Tu queres voltar para lá?

 

Jesus respondeu:

 

- O nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou acordá-lo.

 

Disseram então os discípulos:

 

- Senhor, se dorme, está salvo.

 

Jesus referia-se à morte de Lázaro, mas eles entenderam que falava do sono natural. Disse-lhes então Jesus abertamente:

 

- Lázaro morreu; por vossa causa. Eu alegro-Me por não ter estado lá, para que vocês acreditem. Mas, vamos ter com ele.

 

Tomé, chamado Dídimo, isto é, Gémeo, disse aos companheiros:

 

- Vamos nós também, para morrermos com Jesus.

 

Ao chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria, para lhes apresentar condolências pela morte do irmão. Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. Marta disse a Jesus:

 

- Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To dá.

 

Disse-lhe Jesus:

 

- Teu irmão vai ressuscitar

 

Marta respondeu:

 

- Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição do último dia.

 

Disse-lhe Jesus:

 

- Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, vive; e todo aquele que vive e acredita em Mim não morre para sempre. Acreditas nisto?

 

Disse-Lhe Marta:

 

- Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.

 

Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria, a quem disse em segredo:

 

- O Mestre está ali e manda-te chamar.

 

Logo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus. Jesus ainda não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro. Então os judeus que estavam com Maria em casa para lhe apresentar condolências, ao verem-na levantar-se e sair rapidamente, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar, como era hábito. Quando chegou aonde estava Jesus, Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e disse-Lhe:

 

- Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não tinha morrido.

 

Jesus, ao vê-la chorar, e vendo chorar também os judeus que vinham com ela, comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. Depois perguntou:

 

- Onde o pusestes?

 

Responderam-Lhe:

 

- Vem ver, Senhor.

 

E Jesus chorou. Diziam então os judeus:

 

- Vejam como era seu amigo.

 

Mas alguns deles criticavam:

 

- Então Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?

 

Entretanto, Jesus, comovido no seu coração, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada. Disse Jesus:

 

- Tirem essa pedra.

 

Respondeu Marta, irmã do morto:

 

- Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias.

 

Disse Jesus:

 

- Eu não te disse que, se acreditasses, vias a glória de Deus?

 

Tiraram então a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse:

 

- Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste.

 

Dito isto, ordenou com voz forte:

 

- Lázaro, sai para fora.

 

O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num pequeno lençol chamado sudário. Disse Jesus:

 

- Tirem-lhe as ligaduras e ajudem-no para ele andar.

 

Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.

Palavra da salvação.




Oração sobre as oblatas
Deus todo-poderoso, em bondade,

pedimos, em nome do sacrifício e paixão de Jesus,

que purifiques os nossos corações.
Por Cristo nosso Senhor.


Oração depois da comunhão
Deus infinitamente bom,

dá-nos a alegria de vivermos sempre

como membros da Igreja que é o Corpo de Cristo.

Ele que vive e reina pelos séculos dos séculos.


 

CELEBRAÇÃO DA RESSURREIÇÃO DE LÁZARO ~ Domingo 22 de Março de 2026 - Domingo V da Quaresma


 

CELEBRAÇÃO DA RESSURREIÇÃO DE LÁZARO

 

Celebração da Palavra sem Eucaristia 

 

Domingo 22 de Março de 2026 - Domingo V da Quaresma

 

Preparação

Um biombo para fazer de sepulcro e um catre para transportar Lázaro morto no funeral.

Ligaduras para Lázaro na ressurreição

 

ENTRADA

Deus está aqui. Tão certo como o ar que respiro.
Tão certo como a manhã que se levanta.
Tão certo como este canto que podes ouvir.

1. Tu O podes sentir movendo-se por entre os ramos.
Tu O podes ouvir cantando connosco aqui.
Tu O podes levar quando por esta porta saíres.
Tu O podes guardar para sempre no teu coração.

2. Tu O podes notar a teu lado neste mesmo instante.
Não sejas também daqueles que O não querem ver.
Tu Lhe podes contar esse problema que tens.
Jesus está aqui. Se queres, podes segui-Lo

 

Saudação

 

Presidente: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Todos: O povo responde: Ámen.

Presidente: A graça de nosso Senhor Jesus Cristo,

o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo

estejam connosco.

 Todos: Bendito seja Deus, que nos reuniu no amor de Cristo.

                               

Admonição: Explicação da diferença entre Eucaristia e simples Celebração da Palavra

 

 

 

EVANGELHO – Cf. Jo 11, 1-45

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João


Naquele tempo, estava doente certo homem, Lázaro, da cidade de Betânia, aldeia de Marta e de Maria, sua irmã. Elas mandaram então dizer a Jesus:

 

- Senhor, o teu amigo está doente.

 

Ouvindo isto, Jesus disse:

 

- Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus. Por meio dessa doença vai ser glorificado o Filho do homem.

 

Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava.

Lá longe, Lázaro acabou por morrer e foi sepultado, segundo o costume dos judeus, num túmulo escavado na rocha e fechado com uma pedra.

 

Entretanto, Jesus disse aos discípulos:

 

- Vamos voltar para a Judeia.

 

Os discípulos disseram-Lhe:

 

- Mestre, ainda há pouco os judeus queriam apedrejar-Te e Tu queres voltar para lá?

 

Jesus respondeu:

 

- O nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou acordá-lo.

 

Disseram então os discípulos:

 

- Senhor, se dorme, está salvo.

 

Jesus referia-se à morte de Lázaro, mas eles entenderam que falava do sono natural. Disse-lhes então Jesus abertamente:

 

- Lázaro morreu; por vossa causa. Eu alegro-Me por não ter estado lá, para que vocês acreditem. Mas, vamos ter com ele.

 

Tomé, chamado Dídimo, isto é, Gémeo, disse aos companheiros:

 

- Vamos nós também, para morrermos com Jesus.

 

Ao chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria, para lhes apresentar condolências pela morte do irmão. Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. Marta disse a Jesus:

 

- Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To dá.

 

Disse-lhe Jesus:

 

- Teu irmão vai ressuscitar

 

Marta respondeu:

 

- Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição do último dia.

 

Disse-lhe Jesus:

 

- Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, vive; e todo aquele que vive e acredita em Mim não morre para sempre. Acreditas nisto?

 

Disse-Lhe Marta:

 

- Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.

 

Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria, a quem disse em segredo:

 

- O Mestre está ali e manda-te chamar.

 

Logo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus. Jesus ainda não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro. Então os judeus que estavam com Maria em casa para lhe apresentar condolências, ao verem-na levantar-se e sair rapidamente, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar, como era hábito. Quando chegou aonde estava Jesus, Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e disse-Lhe:

 

- Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não tinha morrido.

 

Jesus, ao vê-la chorar, e vendo chorar também os judeus que vinham com ela, comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. Depois perguntou:

 

- Onde o pusestes?

 

Responderam-Lhe:

 

- Vem ver, Senhor.

 

E Jesus chorou. Diziam então os judeus:

 

- Vejam como era seu amigo.

 

Mas alguns deles criticavam:

 

- Então Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?

 

Entretanto, Jesus, comovido no seu coração, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada. Disse Jesus:

 

- Tirem essa pedra.

 

Respondeu Marta, irmã do morto:

 

- Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias.

 

Disse Jesus:

 

- Eu não te disse que, se acreditasses, vias a glória de Deus?

 

Tiraram então a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse:

 

- Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste.

 

Dito isto, ordenou com voz forte:

 

- Lázaro, sai para fora.

 

O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num pequeno lençol chamado sudário. Disse Jesus:

 

- Tirem-lhe as ligaduras e ajudem-no para ele andar.

 

Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.

Palavra da salvação.

 

Comentário/homilia

A diferença entre as ressurreições de Lázaro, a de Jesus e a nossa.

Lázaro morreu no final da vida

Jesus ressuscitou para a Eternidade junto do Pai

Nós temos a possibilidade de ressuscitar para a Vida Eterna, para isso Jesus passou pela Cruz.

Possibilidade de diálogo

 

Pai Nosso

 

Comunhão

 

Acção de Graças individual

 

 

Oração pós-Comunnio     

 

Alma de Cristo, santificai-me. 
Corpo de Cristo, salvai-me. 
Sangue de Cristo, inebriai-me. 
Água do lado de Cristo, lavai-me 
Paixão de Cristo, confortai-me. 
Ó bom Jesus, ouvi-me. 
Dentro das Vossas chagas, escondei-me. 
Não permitais que eu me separe de Vós. 
Do inimigo maligno defendei-me. 
Na hora da minha morte, chamai-me. 
Mandai-me ir para Vós, 
Para que Vos louve com os Vossos Santos 
Pelos séculos dos séculos. Ámen.

 

Bênção e Envio