terça-feira, 8 de dezembro de 2020

João Duns Scoto e a Imaculada Conceição

 

 

 

João nasceu em Duns, na Escócia em 1265. O nome pelo
qual ficou conhecido relaciona-se, pois, com a sua naturalidade, sendo Scoto uma forma de dizer escocês. Em 1282 entra na Ordem Franciscana, no convento de Dumfries. Foi ordenado padre em 1291, em Paris, enquanto estudava filosofia e teologia na Sorbonne. Depois foi convidado para ensinar em Paris. Foi um pensador excelente. A sua habilidade para formular e expor teorias e pensamentos, a subtileza com que era capaz de desarmar os que com ele argumentavam, considerando todas as alternativas possíveis com grande clarividência, valeram-lhe o título de 

Doctor subtilis”.

 

Em 1303, o rei de França, Filipe IV, o Belo, está no clímax
do confronto com o Papa Bonifácio VIII; aquele defendendo a prevalência do poder temporal nas questões seculares, o papa defendendo a predominância do poder espiritual sobre o temporal. João Duns Scoto está do lado do Papa, recusando-se a apoiar o rei e é forçado a abandonar a França. Em 1304 é autorizado a regressar e a reocupar a sua cátedra em Paris. Em 1305 aceita o convite para leccionar em Oxford. Em 1307 segue para Colónia para ensinar teologia na escola franciscana desta cidade alemã. Passado apenas um ano João Scoto parte para Deus, a 8 de Novembro de 1308, com quarenta e três anos de idade. Entre os seus escritos mais importantes destacam-se Theoremata, De primo rerum omnium principio, Collationes Parisienses, Quaestiones super libros Metaphysicorum Aristotelis, não havendo, em relação a alguns deles, a certeza de serem mesmo escritos por João Scoto, ou textos que sofreram intervenções dos seus discípulos.
São importantes as principais posições doutrinais expostas e defendidas por este teólogo.
Fé e ciência. Para João Scoto não há qualquer confusão ou mistura entre fé e ciência. A fé não se refere a verdades científicas, mas apenas éticas e os dogmas da fé têm como único e exclusivo objectivo a salvação do homem.

A unicidade do ser. O homem conhece Deus por revelação interior e não através do conhecimento científico.

Embora existindo uma óbvia diferença ontológica entre o divino e o criado, todos os seres criados partilham do mesmo infinito. O homem não está limitado à percepção sensorial, pois nesse caso não conseguiria entender o divino de Jesus Cristo, mas o homem tem em si mesmo o infinito do seu Criador.
Os universais. A questão dos universais é a seguinte: se a realidade criada tem como característica o individual, como demonstrar a existência do universal? João Scoto responde subtilmente: universal e particular são duas faces da mesma medalha. A característica do individual que é único, é uma outra forma da mesma substância do universal, e não outra substância diferente do universal.

O problema da individualização. Consiste em explicar como, sendo a matéria sempre igual e impessoal, o que faz que os seres vivos sejam diferentes uns dos outros? Duns Scoto resolve a questão dizendo que a matéria e a forma não são uma última realidade.


A Imaculada Conceição da Virgem Maria. A questão de saber se Nossa Senhora tinha ou não nascido com o pecado original era debatida na Igreja, pelo menos desde a disputa entre Pelágio e Santo Agostinho acerca do pecado original, no século IV. Santo Agostinho defendia que todas as pessoas nascem com o pecado original, Pelágio argumentava que tanto no Antigo como no novo Testamento havia muitas pessoas que nunca tinham cometido pecado. A questão do pecado original ficou definida pela Igreja, mas não a da Virgem Maria, em relação a ele.
Duns Scoto apresenta uma argumentação que será um dos instrumentos para a proclamação do Dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria, pelo Papa Pio IX, em 8 de Dezembro de 1854. Scoto afirma que Cristo nasceu para redimir todos os homens e a maneira mais digna e honrosa
de redimir a sua própria mãe é preservando-a de todo e qualquer pecado, incluindo o pecado original.

Em 6 de Julho de 1991, Sua Santidade João Paulo II, confirmou o culto de beato de João Duns Scoto. Para este gesto muito terão contribuído os textos e a interpretação filosófica de algumas questões, entre as quais aquelas a que fizemos referência, da autoria deste franciscano.
Dedicando-se intensamente ao estudo da revelação divina, Duns Scoto pode ajudar as outras pessoas a partilharem também desse conhecimento, da intimidade de Deus.
O que se conhece melhor, melhor pode ser amado. No fim, a questão é a do aprofundamento do amor dAquele que já se ama com o coração. 

Orlando de Carvalho, Os Santos de João Paulo II, volume I, 2005, Lusodidacta.

sábado, 5 de dezembro de 2020

Disciplina dos Sacramentos


O Papa Francisco afirmou no dia 3 de Dezembro de 2020, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que as pessoas com deficiência têm direito a receber os Sacramentos, confirmando uma antiga nota do Episcopado Português acerca da Primeira Comunhão a crianças com deficiência.

A nota referia que não se recuse a Primeira Comunhão a uma criança em consequência da sua deficiência. Foi uma nota que não agradou a todos os responsáveis da Igreja Portuguesa, mas que é agora confirmada pelo Papa Francisco.

 

Foto: Papa Francisco e criança infectada com SIDA

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

LITURGIA APONTAMENTOS 21

 Ambão, Basílica da Santíssima Trindade, Santuário de Fátima

 

40 Sugestões para exercer bem o ministério de leitor

 

 

A) Conhecer e compreender o texto.

1. Quem fala no texto? A quem fala? Sobre quê? Com que finalidade?

2. De que género de texto se trata? Um relato? Uma exortação? Um diálogo? Uma oração? Uma censura?

3. O que sentem as personagens que aparecem no texto?

4. Há palavras difíceis de compreender? Que significam?

5. O texto é divisível em partes? Onde começa e acaba cada parte?

 

B) Preparar uma leitura expressiva.

6. Quais as palavras mais importantes e as expressões ou frases principais que importa sublinhar?

7. Onde fazer pausa, breve ou prolongada?

8. Onde evitar a pausa?

9. Qual o tom de voz (ou tons de voz) adequado ao texto?

10. Qual o ritmo (as acentuações, os encadeamentos) e o movimento (acelerado, rápido, espaçado, lento) que se deve usar, no texto ou nas partes?

11. Articular e pronunciar bem cada palavra e cada sílaba (não negligenciar as consoantes).

12. Não deixar cair demasiado o tom de voz, mesmo nos pontos finais (o verdadeiro ponto final está no fim do texto e que, em nosso entender, salvo poucas excepções, não tem muito lugar na proclamação litúrgica).

13. O leitor mais habilitado nunca descuida a preparação antecedente, com exercícios parcelares e com o texto completo, várias vezes e em voz alta.

 

C) Exprimir os sentimentos do autor e das personagens.

14. A celebração litúrgica actualiza a palavra. O texto escrito torna-se palavra viva hoje, naquele lugar e para aquela assembleia.

"Deus fala hoje ao seu povo".

15. Não se trata de dramatizar, ou melhor dito, de criar uma ilusão, mas de reproduzir ou tornar vivos um texto e um acontecimento. Não se trata de atrair a atenção para a pessoa do leitor, mas para a Palavra e Acção divinas.

16. O leitor tem a responsabilidade de, usando os seus dotes oratórios, a sua técnica refinada e a sua arte de dizer, promover o encontro vital e a comunhão entre Deus que fala e os ouvintes.


D) Examinar algumas minúcias antes da celebração.

17. O Leccionário está no ambão (não uma revista ou jornal, ou folhetos)? Está aberto na página própria?

18. O microfone está ligado? O volume, o tom e a altura estão correctos? (Evite-se o seu ajuste durante a celebração, mediante o sopro ou os dois toques de dedos da praxe, ou outros ruídos perturbadores).

19. A que distância deve estar a boca para que a voz seja audível e expressiva?

 

E) Saber deslocar-se pare o ambão.

20. Situar-se, desde o começo da celebração, num lugar não muito afastado do ambão.

21. Não avançar para o ambão antes de estar concluído o que precede cada leitura (oração, canto, admonição).

22. Caminhar com um passo normal, sem ostentação nem precipitação, sem rigidez nem displicência, mas com uma digna e ritmada naturalidade.

 

F) Postura

23. Pés bem assentes, levemente afastados e firmes. Não se balancear, nem cruzar os pés, nem estar apoiado apenas num pé, com pés cruzados ou um à frente e outro atrás.

24. Não debruçado sobre o ambão, nem com os braços cruzados ou as mãos nos bolsos. Os braços poderão manter-se pendentes ao longo do corpo ou dobrados para permitir um leve e discreto apoio das mãos, na orla central do ambão (evitando tocar o Leccionário a fim de não o danificar com a adiposidade corporal)

 

G) Apresentação

25. Não trajar algo que possa distrair ou ofender os presentes, seja por ostentação, seja por desleixo, pouco conveniente ou ridículo (camisetas de anúncios, vestuário desalinhado ou sujo, cabelo “espetado"...). Ter critério e apresentar-se como pessoa educada e normal.

 

H) Antes de começar.

26. Guardar uma breve pausa para olhar a assembleia, a fim de a registar na mente, pois é para ela que se dirige e também para estabelecer com ela contacto directo antes de iniciar a proclamação.

27. Respirar calma e profundamente.

28. Esperar que toda a assembleia esteja sentada e tranquila e se tenha criado um ambiente de silêncio e escuta.

 

I) Título.

29.Ler só o título bíblico. Nunca se leia 1ª ou 2ª leitura ou salmo responsorial ou a frase a vermelho que precede a Leitura.

30. Após, a leitura do título, faça-se uma pausa para destacar o texto que vai ser proclamado

 

 

J) Ler devagar.

31. O ouvinte não é um gravador, mas uma mente humana que requer tempo para sentir, reagir, ouvir, entender, coordenar e assimilar. Geralmente, lê-se depressa e não se fazem as pausas adequadas, como pede o texto lido (a pontuação oral nem sempre coincide com a pontuação escrita). A leitura rápida pode cortar o contacto com a assembleia.

 

K) Ler com a cabeça levantada.

32. A cabeça deve estar direita, no prolongamento do corpo. Com a cabeça levantada, a assembleia contacta um rosto e a própria voz ganha em clareza e volume e o leitor exprime um texto dirigido à assembleia e não devolvido ao livro.

33. Se o ambão é baixo será sempre melhor suster o livro nas mãos que baixar a cabeça.

34. O olhar deverá manter o contacto com a assembleia sem ser necessário os constantes e perturbantes exercícios de levantar e baixar a cabeça.

 

L) Concluir a leitura.

35.Fazer uma pausa após a última frase e antes de dizer "Palavra do Senhor".

36. Dizer só "Palavra do Senhor" e nada mais (p.e.: "Irmãos, esta é a Palavra do Senhor", ou outras expressões semelhantes). Trata-se de uma aclamação e não de uma explicação.

37. Seria mais expressivo que esta aclamação fosse cantada (pelo Leitor, primeiramente, ou, em caso de necessidade, por outrem). Não sendo cantada, deveria ser dita em tom de voz mais elevado (entenda-se, não necessariamente num volume mais forte).

38. Não abandonar o ambão antes da resposta da assembleia.

39. Deixar o Leccionário aberto na página do Salmo responsorial ou da 2ª Leitura, para que fique pronto para o leitor que se segue.

40. Regressar ao lugar com calma e naturalidade, em passo normal e firme.

 

Fonte: Voz Portucalense