segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Depois do Jubileu... a Misericórdia



Os aniversários são momentos de celebração ou comemoração, mas não substituem a realidade do aniversariante.
A quê ou a quem serve a fraternidade e a partilha no Natal se elas não existirem durante todo o restante ano? Pode, claro, servir para dar algum conforto aos beneficiados, mas não para lhes melhorar significativamente a vida, para os fazer mais feliz. Apercebendo do facto, até dizem que Natal é quando um homem quiser. Quer dizer que podemos oferecer a felicidade do tempo de Natal às pessoas durante umas horas, um dia, uns dias ou o ano inteiro.
O mesmo se passa com as flores oferecidas para um… que já morreu. Em vida, se todos os que oferecem flores lhe tivessem oferecido o dinheiro gasto nisso talvez ele pudesse ter passado melhor, quem sabe mesmo fazer algum tratamento que lhe tivesse prolongado a vida.
A Igreja celebrou o Grande Jubileu do Ano 2000, o Ano do Rosário e tantos outros. Estes festejos costumam durar um ano, com abertura e clausura solenes e depois… acabou e ficamos à espera de outro. O Jubileu do ano 2000 teve alguma continuidade com a realização do Congresso Internacional para a Nova Evangelização que ocorreu nas dioceses de Viena, Paris, Lisboa, Bruxelas e Budapeste. E depois… Em Lisboa o ICNE teve alguma continuidade, realizando-se uma missão anual na Vigararia de Loures-Odivelas. Todavia é pouco, muito pouco. Em termos de evangelização não conta praticamente. As igrejas de portas abertas em todas as capitais em que se realizou o ICNE e que constituiu provavelmente o aspecto mais elogiado pelos participantes, mas não só por eles, acabaram-se com o fim do ICNE. Já vi pessoas, não me canso de o repetir, a rezar diante de uma montra de uma agência funerária, cheia de santinhos, em localidade em que a igreja está quase sempre… fechada!
No dia 20 de Novembro de 2016 o Papa encerrou o Ano Jubilar da Misericórdia. Encerrou definitivamente. Acabou! Para que serviu? Sim, para que serviu? Para os operadores turísticos ganharem algum dinheiro com as peregrinações a Roma e a onde havia portas santas? Algumas paróquias e algumas dioceses até conseguiram continuar o ram-ram habitual, sem ondas, sem celebrar qualquer jubileu nem organizar qualquer peregrinação. Logo quando o Papa pede insistentemente para os cristãos saírem de si e outro Papa pedia para os cristãos se fazerem ao largo!
Não deixemos que a Misericórdia de Deus seja calada, nem sequer pela ineficácia das pastorais. Que mais resta aos cristãos se emudecem a Misericórdia de Deus? A Misericórdia!
O Jubileu da Misericórdia não serviu de nada se tiver acabado. Façamos jubileu da Misericórdia todos os dias, ou corremos o grave risco de não parecermos cristãos.

Na paróquia do Bairro Padre Cruz, em Lisboa, e em Guerreiros, paróquia de Loures, talvez também noutros lugares que desconhecemos, após o encerramento do Jubileu, foi celebrado a Abertura do “E depois… do Jubileu da Misericórdia”.
Porque celebrar a Misericórdia é celebrar e louvar Deus, Nosso Senhor, ser misericordioso é ser parecido com Deus, a Misericórdia Infinita.

Memorial da Misericórdia na Paróquia do Bairro Padre Cruz
A proposta que apresentamos pode servir para ajudar a perpetuar, tanto quanto humanamente esta palavra tem significado, a Misericórdia na praxis pastoral e catequética.

CATEQUESE: A seguir ao Jubileu da Misericórdia

As crianças são convidadas a levarem para a catequese um pacote de leite vazio, lavado por dentro e embrulhado em papel liso, branco ou de cor clara para se poder escrever, para se construir a Torre da Misericórdia, durante três semanas.
Na primeira semana fala-se-lhes sobre a Misericórdia e pede-se a cada um que escreva no seu pacote, que passa a ser TIJOLO, um acto de misericórdia de que tenha sentido ter sido alvo.
Na segunda semana, pede-se-lhes que escrevam um acto de misericórdia que pensem ter realizado.
Estas actividades não devem substituir nem empatar a catequese normal.
Na terceira semana, ao chegarem à catequese, já os tijolos foram usados para construir uma torre, pelos catequistas, que está colocada no presbitério da igreja.
Cada criança escolherá um sinónimo de Misericórdia.

Exemplos:







Outras palavras menos evidentes mas consoante a sensibilidade das crianças serão aceites.

Cada uma escreve o seu sinónimo num tijolo.
Noutro tijolo, todas as crianças escrevem o seu nome e os catequistas também escrevem o seu.
Pode ainda haver um tijolo à entrada da igreja onde todos os fiéis que vão participar nesta missa são convidados a escrever o nome.
O padre que vai presidir à missa assina outro tijolo.

Ao início da missa, depois da saudação inicial, cada criança vai ao microfone ou à frente do presbitério e mostra o seu tijolo, dizendo clara e pausadamente a palavra que lá está escrita, virada de frente para a assembleia.
Depois leva o tijolo junto à Torre da Misericórdia, onde os catequistas colam o tijolo, sobre os que já lá estão, aumentando o tamanho da Torre.
Por fim são colocados no topo da Torre o tijolo com as assinaturas da catequese, com as da comunidade presente e com a do padre presidente da celebração.

Torre da Misericórdia
 Catequista: Ao longo deste ano que terminou e em que a Igreja celebrou o dom da Misericórdia de Deus, tentámos fazer as crianças da catequese entranharem quanto possível esta maneira de viver cristã, pedindo e recebendo a misericórdia de Deus e dando-nos e recebendo uns aos outros a misericórdia, o amor e o perdão.

Catequista: Tendo sido encerrado o Jubileu da Misericórdia, propomo-nos continuar a ensinar a misericórdia às crianças e pedimos a toda a comunidade que o faça também, procurando viver o amor de Deus, amando até os inimigos.

Catequista: O tijolo assinado por toda a assembleia que colocámos na Torre da Misericórdia significa este pedido dos catequistas a todos vós. Oxalá seja também o vosso compromisso.

Catequista: Finalmente o tijolo assinado pelo padre N… é o nosso pedido para que transmita a todos nós continuamente a Misericórdia pela pregação da Palavra de Deus e pela dedicação aos mais frágeis de nós.

A missa segue com o Kírie





domingo, 13 de novembro de 2016

Domingo 34 C Tempo comum









Unção de David, por Veronese

 A Igreja resume a celebração de Jesus, que desenvolve, ao longo do ano litúrgico, que termina neste Domingo, com o título de “Rei do Universo”. Este título quer dizer: Senhor de toda a Criação e Messias Salvador de toda a humanidade. Assim foi a proclamação de fé de S. Pedro, no dia do Pentecostes: “Saiba, com certeza, toda a casa de Israel: Deus constituiu Senhor e Cristo, este Jesus a quem vós crucificastes” (Act 2, 36).


Hoje ouvimos S. Paulo que nos diz: “Deus libertou-nos do domínio das trevas e transferiu-nos para o Reino de Seu Filho muito amado” (Col 1, 13).

O Reino de Jesus manifestou-se na Sua própria pessoa a nas Suas palavras e nas Suas obras.

Porém, o Seu Reino começou logo na criação de todos os seres, porque todos foram criados por Ele e para Ele, que, sendo Filho de Deus tomaria a natureza humana. “Em vista d’Ele é que foram criados todos os seres que há no Céu e na Terra. Tudo foi criado por Seu intermédio para Ele. Assim Ele é anterior a todas as coisas e todos se mantêm por Ele” (Col 1, 16-17).

Esta é a primeira visão grandiosa de Cristo, na Sua presença íntima no ser de toda a criação, à qual Ele comunicou depois toda a força espiritual da Sua Ressurreição.

Mas o Reino de Jesus realizou-se e tornou-se visível na Sua Incarnação na natureza humana e no termo da Sua vida na Terra, pela morte na Cruz. Por essa união íntima a todo o homem e pelo sacrifício redentor da Cruz, Jesus deu a vida do Pai, aos que n’Ele iam acreditar, aceitando a Sua Mensagem de salvação: “Por Ele é que nós temos a redenção e o perdão dos pecados” (Col, 1, 14).

Ele é verdadeiramente o Messias salvador, prefigurado já em David (2 Sam 5, 1-3; Lc 23, 35.39). O Reino de Cristo na terra, após a Sua Ressurreição, continua na Igreja que tem a missão de o fazer crescer até à sua consumação no fim dos tempos. O Reino cresce todos os dias, porque Cristo é a Cabeça da Igreja, que é o Seu Corpo” (Col 1, 18).

E como Cristo consumou o Seu Reino na Terra, quando foi crucificado na cruz, fazendo dela o Seu trono, também a Igreja continua o Reino de Cristo, pelo serviço do amor a Deus e do amor aos irmãos, na humildade e no sacrifício.

A realeza do Reino de Cristo está, pois, em servir até à doação da vida: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de muitos” (Mc 10, 45).

Neste mundo, somos de Cristo e do Seu Reino, em Igreja, não pela força do poder temporal, nem pelo domínio do egoísmo e do orgulho, mas somente pela força do amor que se exprime em atitudes do coração e da alma: a paz, a paciência, a tolerância e o perdão. É este “O Reino da verdade, e da vida, de santidade e de graça, Reino de justiça, de amor e de paz”.

Cónego Manuel Marques Gonçalves


LITURGIA COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES 7



2016-11-20

DOMINGO XXXIV DO TEMPO COMUM

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO
SOLENIDADE
Branco – Ofício da solenidade.

LEITURA I 2 Sam 5, 1-3
Leitura do Segundo Livro de Samuel
Naqueles dias, todas as tribos de Israel foram ter com David a Hebron e disseram-lhe: «Nós somos dos teus ossos e da tua carne. Já antes, quando Saul era o nosso rei, eras tu quem dirigia as entradas e saídas de Israel. E o Senhor disse-te: ‘Tu apascentarás o meu povo de Israel, tu serás rei de Israel’». Todos os anciãos de Israel foram à presença do rei, a Hebron. O rei David concluiu com eles uma aliança diante do Senhor e eles ungiram David como rei de Israel.
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 121 (122), 1-2.4-5
Refrão: Vamos com alegria para a casa do Senhor. Repete-se

Alegrei-me quando me disseram:
«Vamos para a casa do Senhor».
Detiveram-se os nossos passos
às tuas portas, Jerusalém. Refrão

Jerusalém, cidade bem edificada,
que forma tão belo conjunto!
Para lá sobem as tribos,
as tribos do Senhor. Refrão

Para celebrar o nome do Senhor,
segundo o costume de Israel;
ali estão os tribunais da justiça,
os tribunais da casa de David. Refrão

LEITURA II Col 1, 12-20
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses
Irmãos: Damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de tomar parte na herança dos santos, na luz divina. Ele nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados. Cristo é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; Porque n’Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis, Tronos e Dominações, Principados e Potestades: por Ele e para Ele tudo foi criado. Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus.
Palavra do Senhor.






LEITURA I 

Fresco na sinagoga de Duro-Europos, cerca de 239, retratando a unção de David



SALMO 121 
 Refrão: Vamos com alegria para a casa do Senhor.



Quando os judeus peregrinavam a Jerusalém, começavam a avistar a cidade de uma colina que lhe fica sobranceira. Então cantavam o salmo 121, o mesmo que cantamos na Eucaristia deste Domingo. Também nós cantamos algumas vezes este salmo ao iniciar a missa, porque como os judeus se aproximavam do Templo, onde acreditavam estar realmente presente Deus, nós acreditamos na presença real de Jesus no pão consagrado durante a missa.


LEITURA II 

Ele nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado




Ele é a cabeça da Igreja


EVANGELHO 
Chegamos ao términus do Jubileu da Misericórdia com esta maravilhosa mensagem que é uma promessa para toda a criatura humana: Deus acolhe sempre o nosso arrependimento não importa quão grave tenha sido a nossa falta, desde que seja sincero. Aquele segundo malfeitor não estava à espera de perdão, pelo menos humano, porque sabia o que tinha feito e reconhecia que tinha pecado. Mas a fé dele, naquele último momento, salvou-o. Apenas pediu a Jesus misericórdia, ou nem tanto, somente que se lembrasse dele. O Senhor aceitou completamente o seu pedido e fez-lhe uma promessa, que nos repete a cada um de nós: Arrependei-vos e acreditai! Eu sou a luz!