sábado, 20 de fevereiro de 2021

Frei Angélico - 18 Fevereiro

 

«Lamentação sobre o corpo de Cristo».
Autor: Frei Angélico 


Guido Tosini nasceu em Castello di Vicchio, perto de Florença, em Itália, em 1387. O pai chamava-se Pedro e o pequeno foi inicialmente chamado de Guido de Pedro.

Em 1407 juntou-se aos dominicanos, no mosteiro de Fiesole, juntamente com o seu irmão Bento e recebe o nome de Angélico João. Os dois irmãos realizaram pequenas pinturas com muitos detalhes, à semelhança das iluminuras góticas.

Em 1409, Frei Angélico, bem como toda a sua comunidade, tomam partido, durante uma disputa do trono pontifício contra o Papa Alexandre V e são obrigados a refugiar-se em Foligno, na Umbria. Aí Frei Angélico terá conhecido e recebido influência de Giotto. Em 1414, devido à peste, os dois irmãos vão para Cartona e, passados quatro anos, regressam a Fiesole.

Cerca de 1434 Frei Angélico é convidado para decorar o convento de São Marco, em Florença, que tinha sido recentemente entregue aos dominicanos, trabalho este que tinha Cosme de Medici como patrono. Os seus mais considerados trabalhos artísticos foram aí pintados entre 1438 e 1445.

«Crucificação». Fresco de Frei Angélico.

 

Convidado para o Vaticano, pinta para o Papa Eugénio IV e depois para Nicolau V, os frescos da Capela do Sacramento, em Roma, mais tarde mandados destruir por Paulo III, e da Capela de Nossa Senhora de São Brízio, na catedral de Orvieto, trabalho que ficou inacabado.

Nas iluminuras de missais e outros livros litúrgicos, Frei Angélico deixou transparecer grandes sinais de piedade e devoção, para quem utilizava esses livros como meio de oração.

A técnica usada nas pequenas miniaturas será usada nas pinturas de grandes dimensões para realizar os belos pormenores que ainda hoje podemos apreciar. 

 

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Frei Angélico defendia que, para alguém poder pintar Cristo com perfeição, tinha de ter sentimentos como os de Cristo e costumava preceder o tempo dedicado às pinturas, por um outro de oração.

A Fé, a linha fundamental da sua vida, foi o catalisador para a criação de uma importante e belíssima obra artística.

Vivendo e pintando durante o Renascimento, quando se recuperava o estilo clássico das culturas grega e romana, exaltando a figura humana, o homem e os sentidos, muitas vezes o pecado, Frei Angélico teve o engenho e o discernimento para usar do Renascimento as técnicas, para realizar obras de arte religiosas, enaltecendo o belo e a virtude, a fé e a piedade, com tal ingenuidade e evidência, que os seus sentimentos generosos são visíveis e parecem contaminar quem olha a sua arte. Faz uma inovação ao usar a luz com intenção não naturalista, mas estética, fazendo um uso inteligente da cor.

Partiu para a Casa do Pai em 1455. Os seus restos mortais estão depositados na Igreja de Santa Maria sobre Minerva.

A 18 de Fevereiro Sua Santidade João Paulo II beatificou Frei Angélico, dispensando existência de milagre, por concessão Missae et Officii. Ele foi declarado padroeiro dos artistas.

 

Orlando de Carvalho

Os Santos de João Paulo II, volume I, Editora Lusociência

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Ano de São José – Com Coração de Pai

Os primeiros escritos cristãos são os que compõem o Novo Testamento. Eles contêm tudo o que sabemos, no modo discursivo, sobre São José.

Ora, os primeiros tempos da Igreja estão centrados nas pessoas da Santíssima Trindade e, logo de seguida, na Mãe de Jesus, a que foi prometida pelo Senhor a todos e a cada um de nós também como Mãe.

Na arte desses primeiros tempos, mesmo aquelas primeiras representações visuais, ainda que não lhes chamemos arte, são centradas, para além de Jesus, na sua Mãe. Há razões de ordem teológica, em primeiro lugar porque Maria é a prova de que Jesus encarnou, pessoa como nós. Depois talvez uma certa ternura que todos temos para com a nossa mãe.

É através das representações da natividade e do aprofundamento do modo como Deus se fez Dom à Humanidade, que a personagem do carpinteiro José vai tomando forma.

Chama-se a este modo pedagógico de Deus Se revelar e revelar os seus mistérios, para que consigamos entender, a Economia da Salvação. A veneração do esposo de Maria e pai de Jesus, deste modo, tem crescido ao longo destes dois milénios, de modo a dar-nos a possibilidade de a saborearmos melhor.

Depois de Maria ser reconhecida como Mãe de Deus, José (nas palavras do Papa Francisco), o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida tornou-se para nós um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade. São José lembra-nos que todos aqueles que estão, aparentemente, escondidos ou em segundo plano, têm um protagonismo sem paralelo na história da salvação.

O nome José, já então comum entre os judeus, tornou-se um dos nomes mais populares na Cristandade e no mundo. Igrejas, mosteiros, conventos, ordens religiosas foram dedicadas a S. José. E também obras públicas e particulares, como hospitais, receberam do pai putativo de Jesus o seu nome.

Dentro de grande parte das casas religiosas, com maior enfoque nos conventos e mosteiros femininos, S. José é considerado o grande intercessor nas horas de maior aflição, porque há relatos de que a sua invocação resolveu grandes problemas dentro dos conventos, nomeadamente de ordem financeira.

Ora, como explicava uma criança na catequese, embora Jesus tivesse um Pai no Céu, precisava de um pai na Terra, para trabalhar, ganhar dinheiro e sustentar Maria e o seu Menino.

Nas representações artísticas, Maria surge normalmente como uma bela senhora e José como um idoso amparado num bordão. Então, vários papas, ao longo dos séculos, sentiram necessidade de reavivar a devoção a S. José. O Papa Francisco recorda que o Papa Beato Pio IX declarou São José padroeiro da Igreja, que o Papa Venerável Pio XII o nomeou padroeiro dos operários, que o Papa São João Paulo II ensinou que S. José foi o Guardião do Redentor.

Ao longo deste ano, vamos tentar seguir aquele método de Deus, da Economia da Salvação, e ir descobrindo S. José, enquanto o veneramos e divulgamos a sua devoção, dentro da Igreja e ao mundo.

 

Orlando de Carvalho