Mostrar mensagens com a etiqueta Papa Francisco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Papa Francisco. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Papa Francisco e Patriarca Manuel Clemente


O Patriarca Manuel Clemente deu oportunamente instruções ao clero acerca da interpretação das normas da Exortação Amoris Laetitia, no sentido de esclarecer algumas dúvidas e permitir uma maior aproximação dos casais em situações difíceis ao coração da Igreja.
A nota do Patriarca comentada por nós 

Na altura o Patriarca de Lisboa foi alvo de muitas críticas vindas de teólogos por alguns chamados de progressistas, mas incapazes de discernir algum texto que não seja um Ámen às suas ideias.

Tais teólogos, supostamente apoiantes e seguidores do Papa Francisco, mostrar-se-ão agora com claridade quando tiverem que optar entre opor-se ao Papa, voltar atrás ou fingir que não deram pela resposta e agradecimento que o Papa dirigiu a D. Manuel Clemente.

Orlando de Carvalho



Eis, o texto da carta dirigida pelo Papa ao Patriarca de Lisboa.


Amado Irmão Cardeal
D. MANUEL JOSÉ MACÁRIO DO NASCIMENTO CLEMENTE
Patriarca de Lisboa

Venho agradecer-lhe o envio, por ocasião da Quaresma passada, da Nota que dirigiu aos sacerdotes do Patriarcado sobre a aplicação do capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris laetitia.
Esta sua aprofundada reflexão encheu-me de alegria, porque reconheci nela o esforço do pastor e pai que, consciente do seu dever de acompanhar os fiéis, quis fazê-lo começando pelos seus presbíteros para poderem cumprir da melhor forma o ministério.
As situações da vida conjugal constituem, hoje, um dos campos onde tal acompanhamento é mais necessário e delicado. Por isso mesmo, quis chamar o Colégio Episcopal a um itinerário sinodal prolongado, que propiciasse – apesar das dificuldades inevitáveis – a maturação de orientações compartilhadas em benefício de todo o povo de Deus.
Assim, ao exprimir-lhe a minha gratidão, aproveito o ensejo para encorajar o Irmão Cardeal e seus colaboradores no ministério pastoral – in primis os sacerdotes – a prosseguirem, com sabedoria e paciência, no compromisso de acompanhar, discernir e integrar a fragilidade, que de variadas formas se manifesta nos cônjuges e nos seus vínculos. Um compromisso que, se por um lado requer de nós, pastores, não pouco esforço, por outro regenera-nos e santifica-nos, pois tudo é animado pela graça do Espírito Santo, que o Senhor Ressuscitado concedeu aos apóstolos para a remissão dos pecados e o solícito tratamento de todas as feridas.
Na alegria de partilhar consigo, amado Irmão, esta doce e exigente missão, asseguro a lembrança da sua pessoa na minha oração e, pedindo-lhe que reze por mim também, de coração o abençoo juntamente com o presbitério e toda a comunidade diocesana do Patriarcado de Lisboa.

Vaticano, 26 de Junho de 2018

Franciscus


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Este Papa



Duzentos e sessenta e seis papas é muito tempo, muita História e muitas histórias, são muitos milhares de padres e milhões de baptismos, são dois mil anos!

Como poderiam o Papa São Pedro e o Papa Francisco ter ideias semelhantes? Os tempos são outros, também os costumes, a cultura, o desenvolvimento, a técnica, enfim, o conhecimento e o progresso. Todavia, talvez possam haja mais parecenças entre os dois do que se poderia pensar.

Os fiéis olham em direcção ao Vaticano e sentem-se mais perto deste papa, pescador e pastor, Francisco, do que outros fiéis se sentiram de papas anteriores, de famílias aristocratas que viverem fidalgamente. Francisco parece mais um homem rude e simples do povo que um membro da nobreza.

Agradando a uns mais que a outros, idolatrado por muitos – que nem sempre são católicos! – e maldito para alguns, o Papa Francisco marca uma fractura na linha do tempo da Igreja.

Uns e outros, notando a diferença entre o Papa Francisco e as atitudes habituais dos seus antecessores mais próximos, referem-se-lhe muitas vezes como Este Papa.

Aqueles que reconhecem no Papa Francisco um elo e uma continuação do mandato instituído por Jesus na pessoa de Pedro, referem a expressão Este Papa com ternura, querendo simbolizar que lhe reconhecem a autoridade evangélica que caracterizava Jesus, como é citado em Mateus 7,29.

Outros falam de Este Papa, com desprezo, significando que Francisco não é verdadeiramente papa mas antes obra do diabo, algo que está a complicar a engrenagem da Igreja, alguém que quer limpar da Igreja o pecado com uma intensidade que, embora venha na continuação do fizeram os papas mais recentes, incomoda muitos interesses instalados.

O papa que chegou da Argentina é hoje papa foram outros santos papas que o antecederam; os fiéis, todos nós baptizados e membros da Igreja, devemos tratá-lo com a mesma atitude com que tratámos o Beato Paulo VI ou São João Paulo II, por exemplo. Deixemos de colocar em primeiro lugar a sua diferença ou semelhança com outros papas e tratemo-lo com a dignidade devida: apenas por Papa Francisco. Ele ama esta simplicidade e nós fazemos-lhe maior justiça designando-o pelo que é, e não pelos seus atributos.

Papa Francisco! Nem mais nem menos. Nem este papa nem aquele papa, apenas o pastor que Deus concedeu à sua Igreja, ao seu povo.

Para o bem maior da Igreja, pela unidade tão querida a Deus, falemos apenas do Papa Francisco e nunca mais de “este papa”. Uma encíclica é do papa, da Igreja, não deste papa.

Deus abençoe a sua Igreja e o seu povo e seja louvado pelo grande dom que nos concedeu, o Papa Francisco.



Orlando de Carvalho


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Fronteira entre a Velha Igreja e a Nova Igreja

Padre Teodoro Marques da Silva e Papa Francisco



Na década entre 1965 e 1975, mais ou menos, fui paroquiano em São João de Deus, em Lisboa. Conheci então o padre Teodoro Marques da Silva. Era um homem e um padre de discurso fácil, mesmo aliciante e transmitia aquela espiritualidade muito característica do canto "Queremos Deus". Aqui uma interpretação actual, muito menos forte que a que usávamos então.
Aos Domingos de manhã, a igreja enchia para cinco ou seis missas, pois havia alguma espécie de contágio e a maior parte dos numerosos padres que trabalhavam na paróquia seguiam o mesmo estilo oratório cativante.
Eu gostava muito de ouvir o padre Teodoro na igreja. Ele também falou aos sábados ao fim da tarde na RTP, durante algum tempo, mas eu gostava mesmo era ao vivo.
Por alguma razão, gravei na memória algumas das suas intervenções em homilias, não porque gostasse especialmente delas, mas porque me marcaram.

Veio uma comissão de moradores nas barracas da Av. do Aeroporto, que entretanto foi rebaptizada Av. Almirante Gago Coutinho, visitar-me para pedir que celebrássemos naquele bairro uma missa semanal, uma vez que estão longe desta igreja, querem assistir à missa e nem se sentem bem aqui no meio de pessoas bem vestidas e apresentadas, coisa que eles não podem. Neguei categoricamente. Ora se cada bairro da paróquia viesse, com igual direito, pedir uma zona à porta de casa? Claro que não é viável nem realista atender tal pedido. Aqui é a igreja paroquial e é aqui que celebramos as únicas missas paroquiais.

Noutra ocasião apresentou na homilia um caso muito diferente, mas não tanto.

Vieram uns senhores ter comigo a perguntar-me se, neste tempo de Verão quente que estamos a viver, podiam participar na missa em mangas de camisa. A minha resposta foi rápida e clara:
- Quando for permitida a entrada no Teatro de S. Carlos em mangas de camisa, também será permitido nesta igreja. Até lá, continuamos a vir de casaco e gravata, como no São Carlos.

Só depois de o padre Teodoro ter falecido, muito mais tarde, vim a saber que tinha sido capelão da Praça de Touros do Campo Pequeno. Nem nunca me tinha passado pela cabeça que existisse tal coisa.

Têm-me interpelado algumas pessoas acerca da moralidade das touradas, porque os touros sofrem. Meus amigos, Deus criou os animais para os homens tirarem deles proveito, o melhor que soubessem. Ora, se dá prazer às pessoas o toureio, nada de errado existe, foi para isso que Deus criou os touros.

Recordando intervenções do padre Teodoro, percebo a razão de as ter retido na memória. O discurso apelativo, o seu tom intimista e simpático, agradavam. Mas eu, de facto, gostava da carne e do osso, mas desagradava-me o tutano, embora na altura não entendesse sequer a sua abrangência.

Compreendi mais tarde os problemas que o já Cónego Teodoro enfrentou como pároco na Sé Catedral, para onde foi transferido depois do 25 de Abril.

Nesta reflexão, este padre serve-nos para entendermos as mudanças que se realizaram na Igreja pós-conciliar. O padre Teodoro nunca se evidenciou contra o Concílio, pelo contrário. A paróquia de São João de Deus foi das primeiras a realizar missas dominicais ao sábado – coisa que muitos padres ainda hoje são incapazes de entender, apegados a tradições e desapegados da Tradição Evangélica – e mesmo ao sábado à noite, tal era a maneira como conseguia entender as necessidades das pessoas. Mas já não as entendia no caso dos moradores das barracas da Avenida do Aeroporto.

A Igreja está a percorrer um caminho longo e pedregoso de desapego do mundo, do mundanismo, da riqueza, do estatuto, embora a opção preferencial pelos pobres esteja para muitos ainda num horizonte muito afastado. Felizmente, são já muitos aqueles que a entenderam. Aliás, se essa opção não tivesse existido sempre, pelo menos em alguns, a Igreja já se tinha extinguido.

Com João XXIII, a Igreja iniciou um percurso, a princípio na teoria, no papel. Hoje, com Francisco, não obstante as aclarações ainda necessárias, a opção evangélica é a regra e a Lei. A maior parte das dúvidas que restam, têm-nas aqueles que estão a colocar em primeiro lugar a defesa dos seus interesses pessoais, antes da vontade de Deus. As mentes não podem mudar num dia e o capelão do Campo Pequeno, grande aficionado, não se levanta um dia de manhã a pensar e a declarar que torturar touros é maltratar o que Deus nos deu.
Comparando a prática do padre Teodoro, mais acessível que a do Patriarca Cerejeira ou de algum papa, fica à nossa mercê entender profundamente o que mudou, o que está a mudar e o que é preciso mudar na igreja actual ou no estado a que a Igreja chegou. Temos que regressar às origens do Evangelho, de Jesus, da Palavra encarnada, mas também da Palavra criadora da primeira hora do Cosmos, e à harmonia cósmica. Apelidar este retorno à Casa de Deus, como pretendem alguns privilegiados e alguns desatentos, de New Age e outros epítetos com segundas intenções só pode ser maldade e não nos parece nada cristão.

Orlando de Carvalho




* Queremos Deus

1. Queremos Deus homens ingratos / Ao Pai supremo, ao redentor / Zombam da fé os insensatos / Erguem-se em vão contra o Senhor

Refrão: Da nossa fé, oh! Virgem, o brado abençoai / Queremos Deus que é nosso Rei / Queremos Deus que é nosso Pai.

2. Queremos Deus e a sã doutrina / Que nos legou na sua cruz / Que leve a escola e a oficina, a lei de Cristo, o amor e luz

Refrão

3. Queremos Deus na Pátria amada / Amar-mos todos como irmãos / E ver a Igreja respeitada / São nossos votos de cristãos

Refrão

4. Glória à Jesus na Hóstia santa / que se consagra sob o altar, / e aos nossos olhos se levanta / a Portugal a abençoar

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Cura por intercessão dos pastorinhos



Em 2007, na diocese de Olinda e Recife, no Brasil, uma criança de seis anos caiu de uma janela, para a rua, de uma altura de sete metros.

Bateu com a cabeça que abriu, saindo para fora parte do cérebro. A criança foi declarada sem hipótese de sobrevivência ou com deficiência cerebral definitiva.

A criança foi submetida a cirurgia craniana.

A família rezou pedindo a intercessão de Nossa Senhora de Fátima e dos pastorinhos.

Uma comunidade religiosa feminina rezou pedindo a intercessão dos beatos Francisco e Jacinta.

Passados três dias a criança voltou para casa com alta hospitalar e encontra-se bem.

Logo em Fevereiro de 2007 uma comissão médica declarou não existir explicação científica para a cura.

Em Março de 2017, as instâncias vaticanas e o papa declararam aceitar a existência de uma cura milagrosa por intercessão de Francisco e Jacinta.

No dia 13 de Maio, Sua Santidade o Papa Francisco procederá à canonização das duas crianças, no Santuário de Fátima.

Orlando de Carvalho

sábado, 11 de julho de 2015

A FOICE O MARTELO E A CRUZ



O presidente Evo Morales, da Bolívia, aproveitou a visita do papa Francisco ao seu país e ofereceu-lhe, sob a forma de condecoração, uma escultura de uma foice e martelo onde foi gravada a Cruz de Cristo.

Olhando bem, vê-se que não se pegou numa imagem cristã e se fez dela um símbolo comunista. No símbolo comunista inscreveu-se a marca de Cristo. Não foi este o pensamento do presidente Evo Morales, mas é a realidade: Aquela foice e martelo estão iluminados pela luz de Cristo, foram-Lhe consagrados. Não obstante o mau gosto do presidente boliviano, que também eu denoto, o facto é este. Se aquela foice e martelo for usada como símbolo de ódio, como tantas vezes é, consubstancia mais outro pecado, porque ficou consagrada ao Amor.


Quarta-feira, 9 de Julho de 2015, o presidente Evo Morales entrega ao papa Francisco uma escultura, cuja existência e significado o papa desconhecia. O missionário jesuíta espanhol Luís Espinal, assassinado em 21 de Março de 1980, aos 48 anos, tinha imaginado uma Cruz de Cristo inscrita numa foice e martelo, o símbolo do comunismo.

É importante em Teologia separar o essencial do acessório. Tomemos o exemplo do pão consagrado: o acessório é a natureza material, o pão, o essencial é a natureza verdadeira, espiritual, o Corpo de Cristo.
Naquele objecto, o acessório é a foice e o martelo e o essencial é a Cruz de Cristo.
 

O padre Luís Espinal fotografado na década de 1970

 

Bilhete de identidade do jesuíta Luís Espinal

Se alguém teve alguma intenção de escárnio, foi mal sucedido, porque não é possível escarnecer do Deus. Tentaram já em Jerusalém há dois mil anos e o resultado foi a maior glória que conhecemos na História da Humanidade: a morte foi vencida e a ressurreição é o destino ao alcance de todos.
Que aconteceu à bandeira de Portugal, da Inglaterra ou da Dinamarca, do Real Madrid ou do F. C. Barcelona por terem a Cruz de Cristo? Cristo rendeu-se a Portugal, à Inglaterra ou à Dinamarca? Ao Real Madrid ou ao F. C. Barcelona? Evidentemente aconteceu o inverso: Portugal, Inglaterra e a Dinamarca, o Real Madrid e o F. C. Barcelona acolheram-se à protecção de Cristo, isto é, foi pedida a bênção de Deus para os portugueses, ingleses, dinamarqueses e para os jogadores, associados, adeptos, etc. do Real Madrid e do F. C. Barcelona.

O presidente Evo Morales ao colocar em evidência a cruz do missionário jesuíta Luís Espinal, consciente ou não do que fazia, pediu a Deus a bênção e a conversão dos comunistas e do mundo comunista. Bem precisam da ajuda de Deus e das orações de todos os povos de Cuba, Angola, Moçambique, Coreia do Norte, R. P. China, tanto os comunistas que oprimem e matam, como os povos subjugados.
 


A condecoração dada por Morales ao Papa parece ter sido criada à medida para a ocasião, apenas quinze dias antes.

O Santo Padre Francisco, ao colocar a oferta recebida aos pés de Maria, sob a invocação de Virgem de Copacabana, Padroeira da Bolívia, reforçou o pedido de protecção que o presidente da Bolívia realmente fez. Também acreditamos que Nossa Senhora em Fátima pediu a oração pela conversão dos pecadores e a consagração da Rússia.

Orlando de Carvalho