domingo, 10 de dezembro de 2017

Da origem da palavra Liturgia ao seu significado





Liturgia é uma palavra composta por duas palavras de origem grega: lit+urgia.
Lit deriva do adjectivo leïtos, do substantivo laos, que significa povo. Da mesma origem surge a palavra leigo.
Urgia significa trabalho, serviço, ofício, função, ministério, como em cirurgia ou metalurgia, dramaturgia, siderurgia.
Entre os gregos, a leïturgia designava a função pública.
Pode surpreender esta leitura da liturgia como função pública.
Detenhamo-nos no nº10 da Constituição Sacrosanctum Concilium, Sobre a Sagrada Liturgia, do Concílio Vaticano II:
 





A Liturgia é simultaneamente a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força. Na verdade, o trabalho apostólico ordena-se a conseguir que todos os que se tornaram filhos de Deus pela fé e pelo Baptismo se reúnam em assembleia para louvar a Deus no meio da Igreja, participem no Sacrifício e comam a Ceia do Senhor.
A Liturgia, por sua vez, impele os fiéis, saciados pelos «mistérios pascais», a viverem «unidos no amor»; pede «que sejam fiéis na vida a quanto receberam pela fé»; e pela renovação da aliança do Senhor com os homens na Eucaristia, e aquece os fiéis na caridade urgente de Cristo. Da Liturgia, pois, em especial da Eucaristia, corre sobre nós, como de sua fonte, a graça, e por meio dela conseguem os homens com total eficácia a santificação em Cristo e a glorificação de Deus, a que se ordenam, como a seu fim, todas as outras obras da Igreja. (SC 10)
  




Trata-se, pois, mesmo de uma função (um trabalho, uma urgia) a que são chamados todos os filhos de Deus para a desempenhar, como Igreja, junto de Deus e de todas as gentes.

Orlando de Carvalho



5 comentários:

  1. Obrigada pela partilha. Um abraço em Cristo. Palmira

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  2. É bem lembrado mas permita-me acrescentar que não podemos esquecer que essa função é realizada sobretudo por Cristo para o Seu povo, como é indicado no ponto 7 da SC: "Com razão se considera a Liturgia como o exercício da função sacerdotal de Cristo."

    Por isso não existe igualdade de funções, cada qual tem o seu lugar, sendo todos chamados a participar activa, consciente e piedosamente como é indicado nos pontos 11 da SC: "Para assegurar esta eficácia plena, é necessário, porém, que os fiéis celebrem a Liturgia com rectidão de espírito, unam a sua mente às palavras que pronunciam, cooperem com a graça de Deus, não aconteça de a receberem em vão. Por conseguinte, devem os pastores de almas vigiar por que não só se observem, na acção litúrgica, as leis que regulam a celebração válida e lícita, mas também que os fiéis participem nela consciente, activa e frutuosamente."

    e no ponto 48, onde explica melhor qual é a participação activa dos fieis: "É por isso que a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na acção sagrada, consciente, activa e piedosamente, por meio duma boa compreensão dos ritos e orações; sejam instruídos pela palavra de Deus; alimentem-se à mesa do Corpo do Senhor; dêem graças a Deus; aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada; que, dia após dia, por Cristo mediador, progridam na unidade com Deus e entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos."

    Assim, temos a liturgia como sendo sobre Deus e o Seu trabalho para o Seu povo, à qual nos unimos activamente «por Cristo, com Cristo e em Cristo».

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    1. A cristocentricidade foi definida pelo Concílio e, por pressão de forças conservadoras (do antigo rito) foi rectificada para fazer sobressair o papel clerical, como se fosse possível isso ser posto em causa.
      Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a Vós Deus Pai - a máxima Doxologia. Por Cristo, com Cristo e em Cristo, nós, vossos filhos, damos toda a glória, ó Pai!
      Nós!
      A Liturgia como explico no artigo é a função pública que realizamos em Igreja. É tão Liturgia consagrar as espécies, como é Liturgia distribuí-las ou tomá.las.
      O Francisco até numa explicação etimológica é capaz de pegar para mostrar um certo ódio visceral ao Concílio.
      Cristo quer que sejamos Um.
      O demónio passa o tempo a denunciar-nos e a semear a guerra entre nós.
      Por favor, medite bem nestas palavras evangélicas.
      E não retiro uma vírgula ao artigo. A não ser que lá exista alguma gralha gramatical.

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  3. não indiquei que estivesse errado, apenas acrescentei informação sobre como estamos todos chamados a desempenhar a função: unidos a Cristo eterno Sacerdote somos um só, desempenhando cada um a sua função e principalmente que a função litúrgica é realizada por Cristo e não apenas por nós mesmos.

    Onde encontra «um certo ódio visceral ao Concílio»? Posso não ter compreendido bem mas os documentos do Concílio e de implementação do Concílio indicam uma união não com base em igualitarismo mas em diferentes funções e ministérios que se unem num mesmo objectivo.
    Os documentos do Concílio e de implementação do Concílio exortam a uma maior participação, consciente, activa e piedosa dos fiéis no mistério celebrado, por exemplo no documento de implementação Eucharisticum Mysterium em relação ao Santo Sacrifício e à comunhão:
    "Os fiéis participam mais plenamente neste sacramento de ação de graças, propiciação, petição e louvor, não só quando oferecem de todo o coração a Vítima Sagrada, e nela eles mesmos, ao Pai com o sacerdote, mas também quando recebem a mesma vítima sacramentalmente."
    Se vir que aqui tenho alguma ideia menos certa pode indicar para ficar a compreender melhor.

    O que significa «papel clerical»? É uma expressão que ainda não percebi o que significa e o que tem de errado/certo/bom/mau e o que o Concílio falou em relação a isso.

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    1. O papa utiliza a palavra clericalismo ou outras da família

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