Tal como Moisés, depois de ter libertado o Povo da escravidão no Egipto e de o ter guiado através do Deserto durante 40 anos, não entrou na Terra Prometida, também João XXIII, que convocou inesperadamente um Concílio Ecuménico, mesmo com a oposição de muitos cardeais e o inaugurou a 11 de Outubro de 1962, não esteve no encerramento do mesmo por ter falecido a 3 de Junho de 1963.
Reunido o Conclave, foi eleito sucessor São Paulo VI, que encerrou os trabalhos conciliares a 8 de Dezembro de 1965.
Coube a São Paulo VI assinar e promulgar todos os documentos que emergiram do Concílio (Constituições, Decretos e Declarações) e os que resultaram das deliberações do mesmo.
Neste contexto, surge em 3 de Abril de1969, o Missal Romano segundo as directivas conciliares.
Um dos itens que alguns têm dificuldade em entender é a oração dominical, ou Pai Nosso, que, em boa hora, São Paulo VI aglutinou à oração pela paz, que é o primeiro dom do Ressuscitado. Ao longo da Eucaristia, os fiéis dirigem-se de modo geral a Deus Pai, mas ao recitar a oração que Jesus ensinou (não podemos esquecer que foi Jesus quem a ensinou), confirmamos a nossa situação de irmãos, filhos do mesmo Pai e manifestamo-lo com votos ou gestos de paz, uns com os outros.
Assim, ao terminar a recitação da oração que Jesus ensinou, não terminamos a nossa oração, continuamos com algo que de Jesus recebemos, logo após a Ressurreição “A paz esteja convosco”.
Por esta razão, na Eucaristia, ao terminar a recitação do Pai Nosso, não dizemos “Ámen”, porque a nossa oração não terminou e continuamos, acompanhando em silêncio as palavras do Presidente da celebração, que em nome de todos prossegue:
“Livrai-nos de todo o mal, Senhor, (…) Vós que sois Deus com o Pai na Unidade do Espírito Santo”
Neste momento termina a oração e o povo responde:
“Ámen”.
E de seguida realizamos o gesto da paz. Este gesto, que também parece de difícil compreensão para alguns fiéis, é de antiga tradição na Igreja. Já era praticado pelos primeiros cristãos no século I, como “ósculo da paz” e é mencionado na Bíblia, por São Paulo, em Romanos 16, 16.
Na recitação do Pai Nosso, fora da missa, portanto apenas a oração que Jesus ensinou, sem referir a paz que Ele nos doou, dizemos “sempre” Ámen”, porque a oração termina aí. Na missa, a oração preparatória da Comunhão começa com a recitação do Pai Nosso, mas prolonga-se no “embolismo”: “Livrai-nos de todo o mal, Senhor…”, como acima referido.
A propósito, podemos referir que a palavra “Ámen” é latim e devemos pronunciá-la como “pólen”, “gérmen”, “hífen”, Éden”, “líquen”, “dólmen”. Nunca “amãe”ou “amem”. Claro que este erro linguístico não afecta em nada a devoção ou valor da oração. É uma nota para quem quiser aprender.
Orlando de Carvalho

Sem comentários:
Enviar um comentário