sábado, 2 de maio de 2026

Alexandrina (Maria da Costa) de Balasar


 







Alexandrina de Balasar Alexandrina Maria da Costa é uma mulher do povo que nasceu e viveu em Balasar e a sua vida está envolta num misticismo muito difícil de entender, onde a realidade perceptível a qualquer pessoa se enlaça num mundo de visões e de intimidade com os céus, onde a caridade e a fé próprias de quem caminha neste mundo coexistem com a alegria e a certeza de quem parece viver já a plenitude do Mistério de Deus. Não o viveu neste mundo certamente, ela própria o afirma, todavia a sua determinação, coragem e doação fazem-nos hesitar e interrogarmo-nos, afinal como foi possível alguém passar por esta vida na Terra, desta maneira? De si mesma, diz Alexandrina: “Eu chamo-me Alexandrina Maria da Costa, nasci na freguesia de Balasar, concelho da Póvoa de Varzim, distrito do Porto, a 30 de Março de 1904, numa quarta-feira de trevas e fui baptizada, a 2 de Abril do mesmo ano, era então sábado de Aleluia”. Era a segunda das duas filhas de Ana Maria da Costa– a sua irmã chamava-se Deolinda da Costa. O pai, António Gonçalves Xavier, abandonara a mãe. Os traços da gente minhota, fé e trabalho, adquirem em Alexandrina uma expressão muito forte, de tal maneira que a fazem sobressair entre os seus conterrâneos, primeiro, e a vão distinguindo ao longo da vida como uma pessoa impar na Igreja. Como criança mostrava-se obediente, trabalhadora, sempre disposta para aventuras, sendo frequentemente apelidada de Maria Rapaz. Agia com espontaneidade enquanto revelava um coração bondoso e atento ao sofri mento alheio e agindo sempre de acordo com os ensina mentos cristãos recebidos em casa, desde tenra idade. Em Balasar não havia escola e Alexandrina, com sete anos, vai com a irmã Deolinda para a Póvoa de Varzim, para frequentarem a escola primária. Nesse mesmo ano, em 1911, faz a Primeira Comunhão lá, na Póvoa do Varzim. Diz que nesse momento “fitei a sagrada Hóstia, que ia receber, parecendo-me unir a Jesus, para nunca mais me separar dEle”. Começou então a comungar diariamente. Alexandrina frequentou a escola de Janeiro de 1911 a Julho de 1912, ficando apenas com a primeira classe. Na paróquia é convidada para participar no coro e para dar catequese. Falando de si com a idade de nove anos, Alexandrina deixa--nos esta bela dissertação: “Pelos nove anos, quando me encontrava sozinha, punha-me a contemplar a natureza, o romper da aurora, o nascer do sol, o gorjeio das avezinhas, o murmúrio das águas: entrava em mim uma contemplação pro funda, que quase me esquecia que vivia no mundo. Chegava a deter os meus passos e a ficar embebida neste pensamento: o poder de Deus! E quando me encontrava à beira mar,... Oh, como me perdia, diante daquela grandeza infinita! À noite, ao contemplar o céu e as estrelas, parecia esconder-me mais ainda, para admirar as belezas do Criador!” Numa época em que as mulheres recebiam de salário meta de do que era pago aos homens, e as crianças ainda menos que metade, Alexandrina trabalha com tanto empenho e eficácia que recebe tanto como a mãe. Como adolescente a caminho de ser mulher, começam a distinguir-se-lhe contornos de grande beleza, uns olhos de contagiante vivacidade que manterão essa característica ao longo de toda a vida. Será algumas vezes incomodada, devi do a esses traços de elegância, por gente mal intencionada, homens que procuram aproveitar-se, julgando-a ingénua ou fácil de dobrar e que acabarão por marcar toda a sua vida de sofrimento. Aos doze anos é atingida pela febre tifóide. Recebe o sacramento, então chamado de extrema-unção, mas consegue salvar-se. Aos catorze anos, “andava a apanhar hera numa carvalheira para dar ao gado” e deu uma grande queda. Fica sem se “poder mexer e sem respirar”, mas logo continua a trabalho. O impacto que a coluna vertebral sofreu quando Alexandrina chocou com o solo, provoca-lhe danos que serão irreversíveis e que, embora na altura tenha parecido não ser nada de importância, se agravam com o passar do tempo. A jovem não consegue manter uma postura direita, nem a andar, nem sentada, depois tem de abandonar o trabalho, até começar a deixar de conseguir comer. Na família e nos amigos, Alexandrina não encontra apoio e consolo, mas chacota. Acusam-na de estar a fingir as dores, ridicularizam as posições que ela adopta para minimizar as dores e o pároco ameaça-a com o inferno se ela não comer normalmente! Finalmente vai a um médico que explica que ela “não comia, porque não podia”. As dores continuarão a aumentar mas, pelo menos, as pessoas vão parar de se meter com ela, acusando-a de estar a fantasiar uma doença inexistente. Alexandrina passa então por uma das maiores aflições da sua vida. Oiçamos as suas próprias palavras: “Uma ocasião estando eu, minha irmã e uma pequena mais velha do que nós a trabalhar na costura, avistámos três homens: o que tinha sido meu patrão [e que já a tentara molestar, noutra ocasião], outro casado e um terceiro solteiro. Minha irmã, percebendo alguma coisa e vendo-os seguir o nosso caminho, mandou-nos fechar a porta da sala. Instantes depois, sentimos que eles subiam as escadas que davam para a sala e bateram à porta. Falou-lhes minha irmã. O que tinha sido meu patrão mandou abrir a porta, mas como não tivessem lá obra, não lhes abrimos a porta. Ele conhecia bem a casa e subiu por umas escadas pelo interior da habitação e os outros ficaram à porta onde tinham batido. Ele, não podendo entrar pelo interior por um alçapão que estava fechado e resguardado por uma máquina de costura, pegou num maço e deu fortes pancadas nas tábuas, até rebentar o alçapão, tentando passar por aí. Minha irmã, ao ver isto, abriu a porta da sala e conseguiu escapar-se, apesar de a prenderem pela roupa. A outra pequena foi a segunda a fugir, mas essa ficou presa e eu, ao ver tudo isto, saltei pela janela que estava aberta e que deitava para o quintal. Sofri um grande abalo, porque a janela distava do chão quatro metros. Quis levantar-me logo, mas não pude, porque me deu uma forte dor... Cheia de coragem, peguei num pau e entrei pela porta do quintal para o eirado, onde estava a minha irmã a discutir com um dos dois casa dos. A outra pequena estava na sala com o solteiro. Eu aproximei-me deles zangada e disse que, ou deixavam vir a peque na ou então gritava contra eles. Aceitaram a proposta. Não lhes demos mais confiança; eles retiraram-se e nós continuámos a trabalhar”. O mal de Alexandrina provocado pela queda da árvore fica irremediavelmente comprometido e agravado. As aflições continuarão, porém, a atormentá-la. “Com os meus dezoito anos, vi-me num perigo muito grande inesperadamente. Lembra-me que levava o meu tercinho na mão e que apertei uma medalha de Nossa Senhora das Graças e, de repente, livrei-me do perigo. Foi sem dúvida a Mãezinha do Céu que me vigiou e valeu”. 




Em 1922 passa cinco meses na cama do hospital no Porto, sendo observada pelo médico Abel Pacheco. Em 1924 volta ao Porto onde é observada pelo médico João de Almeida que confirma a sua paralisia gradual. Alexandrina vai andando em médicos mas sem encontrar cura, estes chegam à conclusão que a sua doença se agrava rá gradualmente até ficar paralisada. Foi o que aconteceu. No dia 14 de Abril de 1925, Alexandrina ficou definitiva mente entrevada na cama. Com muita fé, pede a Deus a sua cura, roga a Nossa Senhora, dispondo-se a partir como missionária, se ficasse curada. Pede a cura e vive numa esperança profunda de que o amor de Deus se revelará dessa forma. Vive nesta esperança durante cinco anos. Começa neste ano a celebração anual dos meses de Maria, em Maio, e ela sente um grande desgosto por não ter nenhuma imagem da Mãezinha. É desta forma que Alexandrina trata Maria, a Mãe de Deus, que é também a nossa mãe. Forma idêntica à que Jesus ensinou para usar em relação ao Pai, Abba, Paizinho. Em 1928 prepara-se para ir a Fátima, integrada numa peregrinação que vai da sua terra. Mas o médico e o pá roco impedem-na, argumentando que se ela está a sofrer tanto que nem permite que lhe toquem, na cama, que um simples toque, às vezes lhe causa dores horríveis, como conseguirá levantar-se e empreender tão longa jornada? Alexandrina concorda. 




O pároco traz-lhe de Fátima um terço, uma medalha, um Manual do Peregrino e água – a água da fonte que tantas pessoas apontam como milagrosa. O milagre não se dá como Alexandrina o imaginara. Ela não fica curada da coluna, nem das dores, nem da paralisia. Alexandrina é protagonista de um milagre diferente. Ela vai aceitar o sofrimento, a condição de pessoa imobilizada, com coragem e paciência, e, pedra viva da Igreja de Cristo, num extraordinário hino de louvor a Jesus e de aceitação da vontade de Deus. Ela vai acolher com alegria e generosidade a doença e o sofrimento, oferecendo-se, como vítima imolada pela humanidade. Na missa, os cristãos unem-se ao sofrimento de Jesus, a vítima inocente, no louvor ao Pai. Alexandrina procurará transformar a sua vida num constante acto de louvor ao Pai e intercessão por todos os homens, pedindo ao Pai que aceite o seu sofrimento e que o associe ao sofrimento aceite e oferecido por Jesus. É este oferecimento pessoal de Alexandrina, em união com o oferecimento pessoal de Jesus, o Cordeiro oferecido em holocausto na Cruz e presente na Eucaristia, que originou o nome de “Vítima da Eucaristia”, pelo qual Alexandrina ficou conhecida. Em 1931, interroga: “Meu Jesus, que quereis que eu faça?”. A resposta que ouve, repetir-se-á ao longo dos anos: “Amar, reparar, sofrer”. A partir de 1933, o padre jesuíta Mariano Pinho será o director espiritual de Alexandrina, até partir, exilado para o Brasil. É ele que toma a iniciativa de lhe pedir que faça um diário, através do qual hoje temos conhecimento da rica vivência espiritual desta mulher. No dia 3 de Julho é substituído o pároco de Balasar. O novo pároco, padre Leopoldino, entende alterar o sistema de comunhão de Alexandrina. Em vez da comunhão diária, levar-lhe-á a comunhão apenas uma vez por mês. Naquele tempo não havia ainda na Igreja o serviço dos Ministros Extraordinários da Comunhão para visitar e levar a comunhão aos doentes acamados. Alexandrina, triste com esta situação, continuará a comungar, embora espiritualmente. A 20 de Novembro é celebrada pela primeira vez a Missa no quarto de Alexandrina. A 6 de Setembro de 1934, Alexandrina aceita o convite de Jesus para viver com Ele a sua Paixão: “Dá-me as tuas mãos, que as quero crucificar; dá-me os teus pés, que os quero cravar comigo; dá-me a tua cabeça, que a quero coroar de espinhos como Me fizeram a Mim; dá-me o teu coração, que o quero trespassar com uma lança, como Me trespassaram a Mim; consagra-Me todo o teu corpo, oferece-te toda a Mim, que te quero possuir por completo e fazer o que Me aprouver”. A 11 de Outubro, Jesus, numa das muitas visões de Alexandrina, dirige-lhe um convite: “Ajuda-me na redenção do género humano”. A 20 de Dezembro, Alexandrina compromete-se, perante Jesus, a zelar por todos os sacrários do mundo onde Jesus está sozinho, sem ninguém que lhe faça companhia, e a zelar por todos os pecadores. Alexandrina fará longas vigílias de companhia a Jesus, sozinho nos sacrários, ao mesmo tempo que entrega as suas imensas dores pelos pecadores. Contará que Jesus lhe chamou “mãe dos pecadores”, por este compromisso que ela assume voluntariosamente. Um poema composto por Alexandrina (ou uma oração dirigida por Alexandrina a Jesus Cristo):




Ó meu Jesus, meu Amado, 
No altar sacramentado, 
Por meu amor encerrado 
Nesse sacrário de amor. 

Quisera estar contigo, ó Jesus, 
Dia e noite e a toda a hora, 
Porém, agora não posso ir, 
Bem o sabeis, ó meu bom Pai! 

Estou presinha de pés e mãos; 
Mais presa quisera estar, 
Juntinha a Vós no sacrário, 
Não me ausentar um só momento. 

Ó Sacramento tão adorado 
Do meu Jesus, do meu Amado, 
Eu Vos saúdo aqui do leito, 
Vinde morar neste meu peito! 

Fazei, Senhor, 
Dele um sacrário 
Para eu poder, 
Ó bom Jesus, 
Ser Vossa esposa. 

Ó meu Amado, 
Realizai os meus desejos 
Que são, Senhor, 
Possuir-Vos em mim 
Sacramentado. 

Em 30 de Julho de 1935 Jesus pede a Alexandrina que o Papa faça a consagração do Mundo ao Coração Imaculado de Maria, sua Mãe. Manda Alexandrina transmitir ao seu director espiritual que escreva ao Papa Pio XI nesse senti do. O padre Mariano Pinho escreverá nesse sentido ao cardeal Pacelli, Secretário de Estado do Vaticano. Na Primavera de 1937 Alexandrina está muito doente, pensam que ela está a morrer. Ela própria conta o que aconteceu: “Vi entrar no quarto o senhor Abade e, conhecendo-o, disse-lhe: “Eu quero receber Nosso Senhor”. Ele respondeu-me: “Sim, minha menina, vou buscar-te uma hóstia por consagrar e, se a não vomitares, trago-te Nosso Senhor.” Assim o fez. Logo que engoli a hóstia por consagrar, imediatamente a vomitei. Sua Reverência estava para desistir em me trazer Nosso Senhor, e alguém disse: “Sr. Abade, uma hóstia por consagrar não é Jesus”. Foi então que se resolveu a ir buscar uma consagrada. Recebi-a e não vomitei. 




Nunca mais deixei de receber Jesus Sacramentado por causa desses vómitos. Quantas vezes entrava o senhor Abade no meu quarto para me dar Nosso Senhor, e eu a vomitar! Logo que recebia Jesus, cessavam os vómitos, nunca vomitando antes de passar meia hora. Como era assim, o Senhor Abade nunca temeu em me dar a comunhão. A crise durou bastante tempo, mas, durante dezassete dias, estive sem tomar nada, absolutamente nada. A minha medicina foi Jesus”. Em resposta ao pedido enviado ao Papa, a Santa Sé questiona o arcebispo de Braga, que envia um emissário, o padre jesuíta António Durão, para conversar e interrogar Alexandrina a fim de esclarecer o significado do pedido. Durante o Verão deste ano o demónio ataca com maior violência Alexandrina, chegando a atirá-la para baixo da cama. São ocasiões de grande sofrimento para ela e de difícil com preensão para aqueles que são testemunhas oculares desse sofrer. O padre Mariano Pinho escreve aos bispos portugueses, pedindo-lhes que intercedam junto do Papa para que ele faça a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. A Santa Sé de novo questiona o arcebispo de Braga que envia o cónego Manuel Vilar, para interrogar Alexandrina sobre o seu pedido. Uma senhora de Lisboa, Fernanda dos Santos, posta ao corrente da situação de Alexandrina e das suas absolutas necessidades financeiras, dispõe-se a auxiliá-la daí para diante. Entre 3 de Outubro de 1938 e 20 de Março de 1942, Alexandrina viverá todas as sextas-feiras, durante cerca de três horas e meia, a Paixão de Cristo, percorrendo, e senti do as dores inerentes ao percurso da Via Sacra. Inexplicavelmente, nestes períodos, Alexandrina readquiria a mobilidade e rezava de joelhos, repetindo os movimentos próprios de cada estação da Via Sacra. Ao longo destes anos, diversos médicos e sacerdotes, entre outras pessoas, foram testemunhas destes acontecimentos que se sucederam interruptamente por cento e oitenta e duas semanas. Continuará, todavia, a viver a Paixão de Cristo até final da sua vida, embora, após este período, tal aconteça de forma mais íntima. Em 1938 o padre Humberto Maria Pascoale, que é um salesiano italiano, vem ter com Alexandrina para a auxiliar, pois ouvira falar dela com muita falta de respeito. Será seu director espiritual, acompanhando-a até ao fim da sua vida e entusiasmando-a a continuar a fazer o diário, entretanto interrompido desde a partida do padre Mariano Pinho. Em Dezembro, Alexandrina vai pela terceira vez ao Porto para ser observada por médicos. Desta vez, um psiquiatra é também incluído na lista dos médicos. Em 1939, por três vezes, Jesus prediz a Alexandrina o iní cio da II Guerra Mundial, antes de ela se iniciar, a 1 de Setembro. Alexandrina oferece-se como vítima pela paz. Em Março o cardeal Pacelli é eleito Papa e Jesus diz a Alexandrina que é este o Papa que fará a desejada consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria. Em Junho, na festa do Sagrado Coração de Jesus, Alexandrina escreve, ela mesma, ao Papa a pedir-lhe a consagração do mundo. No Verão de 1940, Alexandrina oferece-se como vítima pela paz no mundo, e em especial em Portugal. Ouve Jesus garantir-lhe que Portugal será poupado à guerra. Em Setembro, Alexandrina escreve também ao cardeal Cerejeira e a Salazar. Alguns bispos apresentam o caso à Irmã Lúcia, pedindo-lhe que interceda, também ela, junto do Santo Padre. A vidente de Fátima fica confusa, pois Nossa Senhora pedira-lhe, em Fátima, apenas a consagra ção da Rússia ao seu Imaculado Coração e não de todo o mundo. Lúcia reza e pede a Jesus que a ilumine. E obtém dEle a confirmação do pedido feito a Alexandrina, em Balasar. Em Junho de 1941 Alexandrina faz a sua quarta viagem ao Porto, para ser novamente observada por médicos. Em Agosto, o Padre José Alves, que presenciara o êxtase de Alexandrina durante a vivência da Paixão de Cristo, numa sexta-feira, publica o facto na imprensa. Este facto vai fazer as pessoas acorrerem à casa de Alexandrina. Tendo vivido pela última vez o êxtase da Paixão, de modo visível, a 20 de Março de 1942, a 27 de Março ela está muito mal e recebe os últimos sacramentos. A partir de 3 de Abril, sexta-feira santa, Alexandrina não voltará a ali mentar-se, nem de alimentos sólidos, nem sequer de água. A comunhão diária será o seu único alimento durante treze anos. No dia 31 de Outubro de 1942, o Papa Pio XII faz final mente a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria, através de uma mensagem transmitida a partir de Fátima, em língua portuguesa. No dia 8 de Dezembro, o Sumo Pontífice repete a consagração solenemente na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Tanto entre os sacerdotes, como entre os leigos, as opiniões acerca de Alexandrina estavam muito divididas. Muitos acusavam Alexandrina de estar a montar um espectáculo, em colaboração com a mãe e a irmã, tanto a respeito dos êxtases da Paixão, mas principalmente quando se começa a divulgar o facto de ela estar há tanto tempo sem comer, nem beber, conseguindo sobreviver. Alexandrina aceita submeter-se a um controlo médico ao seu estado de jejum e anúria (não urinar) absolutos. Entre 10 de Junho e 20 de Julho, Alexandrina fica internada no Refúgio de Paralisia Infantil, no Porto, vigiada vinte e quatro horas por dia. Ao fim dos trinta dias acordados, em que Alexandrina, além de vigiada, foi sistematicamente tentada com alimentos, a pedido de um médico mais desconfiado, o período prolongou-se por mais dez dias, até 20 de Julho. Foi passa do um certificado, assinado por vários médicos de idoneidade inquestionável, em como durante quarenta dias Alexandrina não tinha comido, nem bebido nada, para além da comunhão diária, nem urinado, nem excretado fezes, tendo conservado o peso, a temperatura, a respiração, a tensão, o pulso, o sangue e as faculdades mentais, o que é impossível, do ponto de vista científico. A 25 de Junho de 1944, o arcebispo de Braga, cautelosa mente, proíbe a divulgação dos factos relacionados com Alexandrina Maria da Costa. Todavia, eles vão sendo conhecidos, e as más línguas continuam a fazer furor. Em Outubro de 1946 Alexandrina é colocada sobre tá buas duras, pois a cama macia provoca-lhe muitas dores. Sofrerá sobre estas tábuas até à sua morte. Durante o ano de 1952, face a um notável aumento de pessoas a visitar Alexandrina, o arcebispo de Braga proíbe tais visitas. Continuando as visitas a processar-se e mesmo a aumentar, o arcebispo anula a proibição no final do ano, o que provoca ainda mais visitas. Em 1953, as visitas são num número verdadeiramente despropositado. A 19 de Março, recebe mais de 500 pessoas. A 9 de Maio são quase dois mil os visitantes. A 5 de Junho são cinco mil e a 10 de Junho são seis mil os visitantes. No meio de todo o seu sofrimento, Alexandrina recebe estes visitantes de cara alegre e bem disposta, e fala-lhes, fala--lhes durante bastante tempo. As pessoas vão para a ouvir e as palavras de Alexandrina produzem eco nos corações daqueles que a ela acorrem. Muitos mudam de vida, operando-se neles uma conversão interior. Muitos dos seus êxtases, ao longo deste ano, são presenciados por estes visitantes e alguns são gravados. O último êxtase em público ocorre a 25 de Dezembro. No início de 1955 Jesus diz a Alexandrina que este é o ano da sua morte. Ela parte, para se juntar ao seu noivo celeste, a 13 de Outubro de 1955. Os restos mortais de Alexandrina, depositados no cemitério local, foram trasladados em 1973, para a Igreja Paroquial de Balasar. Alexandrina iniciava sempre o seu dia com esta oração: 

“Sagrado Coração de Jesus, este dia é para Vós”. 

Depois de várias orações, dizia à Mãezinha (Nossa Senhora): 

“Avé Maria, cheia de graça! Eu vos saúdo, ó cheia de graça! Ó Mãezinha, eu quero ser santa! Ó Mãezinha, abençoai-me e pedi a Jesus que me abençoe!”