terça-feira, 8 de novembro de 2016

João Duns Scoto

Os escritos de João Duns Scoto foram um dos principais apoios teológicos do Papa Pio XI para a proclamação do DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO, em 8 de Dezembro de 1854.   


João nasceu em Duns, na Escócia em 1265. O nome pelo qual ficou conhecido relaciona-se, pois, com a sua naturalidade, sendo Scoto uma forma de dizer escocês. Em 1282 entra na Ordem Franciscana, no convento de Dumfries. Foi ordenado padre em 1291, em Paris, enquanto estudava filosofia e teologia na Sorbonne. Depois foi convidado para ensinar em Paris. Foi um pensador excelente. A sua habilidade para formular e expor teorias e pensamentos, a subtileza com que era capaz de desarmar os que com ele argumentavam, considerando todas as alternativas possíveis com grande clarividência, valeram-lhe o título de “Doctor subtilis”.
Em 1303, o rei de França, Filipe IV, o Belo, está no clímax do confronto com o Papa Bonifácio VIII; aquele defendendo a prevalência do poder temporal nas questões seculares, o papa defendendo a predominância do poder espiritual sobre o temporal. João Duns Scoto está do lado do Papa, recusando-se a apoiar o rei e é forçado a abandonar a França. Em 1304 é autorizado a regressar e a reocupar a sua cátedra em Paris. Em 1305 aceita o convite para leccionar em Oxford. Em 1307 segue para Colónia para ensinar teologia na escola franciscana desta cidade alemã. Passado apenas um ano João Scoto parte para Deus, a 8 de Novembro de 1308, com quarenta e três anos de idade. Entre os seus escritos mais importantes destacam-se Theoremata, De primo rerum omnium principio, Collationes Parisienses, Quaestiones super libros Metaphysicorum Aristotelis, não havendo, em relação a alguns deles, a certeza de serem mesmo escritos por João Scoto, ou textos que sofreram intervenções dos seus discípulos.
São importantes as principais posições doutrinais expostas e defendidas por este teólogo.
Fé e ciência. Para João Scoto não há qualquer confusão ou mistura entre fé e ciência. A fé não se refere a verdades científicas, mas apenas éticas e os dogmas da fé têm como único e exclusivo objectivo a salvação do homem.

João Duns Scoto




A unicidade do ser. O homem conhece Deus por revelação interior e não através do conhecimento científico.
Embora existindo uma óbvia diferença ontológica entre o divino e o criado, todos os seres criados partilham do mesmo infinito. O homem não está limitado à percepção sensorial, pois nesse caso não conseguiria entender o divino de Jesus Cristo, mas o homem tem em si mesmo o infinito do seu Criador.
Os universais. A questão dos universais é a seguinte: se a realidade criada tem como característica o individual, como demonstrar a existência do universal? João Scoto responde subtilmente: universal e particular são duas faces da mesma medalha. A característica do individual que é único, é uma outra forma da mesma substância do universal, e não outra substância diferente do universal.
O problema da individualização. Consiste em explicar como, sendo a matéria sempre igual e impessoal, o que faz que os seres vivos sejam diferentes uns dos outros? Duns Scoto resolve a questão dizendo que a matéria e a forma não são uma última realidade.
A Imaculada Conceição da Virgem Maria. A questão de saber se Nossa Senhora tinha ou não nascido com o pecado original era debatida na Igreja, pelo menos desde a disputa entre Pelágio e Santo Agostinho acerca do pecado original, no século IV. Santo Agostinho defendia que todas as pessoas nascem com o pecado original, Pelágio argumentava que tanto no Antigo como no novo Testamento havia muitas pessoas que nunca tinham cometido pecado. A questão do pecado original ficou definida pela Igreja, mas não a da Virgem Maria, em relação a ele.
Duns Scoto apresenta uma argumentação que será um dos instrumentos para a proclamação do Dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria, pelo Papa Pio IX, em 8 de Dezembro de 1854. Scoto afirma que Cristo nasceu para redimir todos os homens e a maneira mais digna e honrosa de redimir a sua própria mãe é preservando-a de todo e qualquer pecado, incluindo o pecado original.
Em 6 de Julho de 1991, Sua Santidade João Paulo II, confirmou o culto de beato de João Duns Scoto. Para este gesto muito terão contribuído os textos e a interpretação filosófica de algumas questões, entre as quais aquelas a que fizemos referência, da autoria deste franciscano.
Dedicando-se intensamente ao estudo da revelação divina, Duns Scoto pode ajudar as outras pessoas a partilharem também desse conhecimento, da intimidade de Deus.
O que se conhece melhor, melhor pode ser amado. No fim, a questão é a do aprofundamento do amor dAquele que já se ama com o coração.


2 comentários:

  1. Conhecia este documento, mas já tinha esquecido por quem e quando tinha sido escrito. Obrigada pela partilha.

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    1. Viva Palmira. É do meu livro Os Santos de João Paulo II.

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